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Disco: “Árabe Macabre”, Test

Test
Brazilian/Death Metal/Grindcore
https://www.facebook.com/testgrind
http://www.myspace.com/testdeath

Por: Cleber Facchi

Test

Uma das coisas mais impressionantes na execução de Aesthethica (2011) do Liturgy ou mesmo do recente All We Love We Leave Behind do Converge está na capacidade das duas bandas em passear por um resultado instrumental caótico e extremamente desesperador, sem jamais perder a linearidade da condução. Tudo se anuncia de forma agressiva, com vozes guturais que se encontram em meio a batidas sujas, guitarras incompreensíveis e toda uma explosão volumosa de sons acinzentados que simplesmente sufocam o espectador. Caos convertido em música, mas que ainda assim mantém a exposição de uma sonoridade sob controle, como se tudo fosse projetado sob ouvidos apreensivos.

Não diferente é a execução de Árabe Macabre (2012, Independente), registro de estreia da dupla paulistana de Death Metal/Grindcore Test. Tão sujo e agressivo quanto qualquer outro registro do gênero vindo de fora do país, o debut do duo Barata (D.E.R., Tri Lambda) e João Kombi (Are You God?) abre trincando os dentes do espectador, que logo na construção da inaugural faixa-título exprime sem grandes esforços um sentimento de desespero. Saia do conforto instrumental a que está habituado. Pelos próximos minutos o duelo constante entre as guitarras de Kombi e as batidas inexatas de Barata é tudo aquilo que você vai encontrar.

Distantes de qualquer aproximação com o Sludge Metal – gênero que parece conquistar cada vez mais adeptos por todo o território nacional -, a dupla mantém na aceleração típica do hardcore e nos versos ásperos a força que movimenta os mais de 20 minutos do álbum – praticamente um EP. Nada de solos alongados, sobreposições climáticas ou vocais que parecem trabalhados de maneira “instrumental”, tão logo o disco tem início, vozes esquizofrênicas tomam de assalto cada provável fração do álbum, direcionando de forma descomunal a sequência de músicas que solidificam o resultado final da obra.

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Cantado do princípio ao fim em português – o que por si só já atrai -, Árabe Macabre é um verdadeiro atentado terrorista em nossos tímpanos. Nos poucos momentos do álbum em que é possível se firmar em uma sonoridade sólida, como na execução tecnicamente regular de Sal da Vida, afinal, logo em sequência a dupla vira o ouvinte de ponta cabeça. A medida de formatações inexatas arremessa o ouvinte para os mais diversos cantos. É como se uma verdadeira roda punk fosse armada no início de cada nova faixa, sendo que quanto menor a duração da música, mais agressiva ela se torna – vide a proposta descomunal de Deus II.

Por vezes soando como uma metralhadora em ritmo matemático, em outras rompendo totalmente com essa ordem, atirando em qualquer direção, Barata é quem parece definir realmente quais sãos os rumos trabalhados no decorrer da obra – se é que eles de fato existem. As batidas intencionalmente esparsas criam a ambientação perfeita para que o companheiro de banda possa brincar com as palavras e principalmente com as guitarras (ou seriam serras elétricas?). Resultado que ao entrar em sintonia resulta em músicas de pura ferocidade, como a bem direcionada Venenom ou a densa Morrer Lentamente, música que soa como se Master of Puppets voltasse cadavérica do inferno.

Com um método curioso de apresentação em público – além dos shows convencionais a dupla costuma se apresentar em pontos aleatórios da cidade de São Paulo, utilizando uma Kombi como base -, a Test parece transportar a mesma energia expansiva das apresentações ao vivo para dentro do álbum. A proposta garante a formação de um registro rápido, porém, tão impactante quanto qualquer outra obra de traços épicos ou aprimorados. Um disco que sem querer parece tão atual (ou talvez até mais) do que muita coisa que circula pela música estrangeira. Árabe Macabre está longe de fluir como um único soco na boca do estômago, afinal, esta mais para uma série deles.

Test

Árabe Macabre (2012, Independente)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Elma, D.E.R. e Are You God?
Ouça: Deus II, Venom e Sal da Vida