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Disco: “Assume Que Gosta”, Matheus Brant

Matheus Brant
Nacional/Indie/Alternative
http://matheusbrant.com.br/

 

Assume que gosta de mim assim / Assim como gosta de um pagodinho / Me beija / Me deita, me cheira, me olha assim / Assim como se fosse até o fim me leva”. É impossível ouvir as canções de Assume Que Gosta (2016, Independente) e não sentir vontade de dançar. Segundo registro de inéditas do cantor e compositor mineiro Matheus Brant, o trabalho que conta com produção assinada por Fábio Pinczowski e Mauro Motoki – também integrantes da Ludov -, cresce, dança e provoca, como um convite para o ambiente de versos sedutores, batidas e arranjos quentes que delicadamente cercam o ouvinte.

Inspirado pelo clima do Carnaval, Brant, um dos criadores do popular bloco mineiro Me Beija que Eu Sou Pagodeiro, assume um caminho completamente distinto em relação ao som promovido no álbum anterior, A Semana (2011). Trata-se de um registro de versos e fórmulas descomplicadas. Uma coleção de faixas marcadas pelo romantismo (Me Namorar), instantes de confissões dramáticas (Abandonado) e versos que nascem a partir de diálogos típicos qualquer casal (Do Prazer).

Círculo sem parar no giro do pedal / Pela perna é ela a tração tropical / Minha cabeça girando seguindo a dela / A bicicleta me leva pra ela afinal”, canta Brant na delicada #Magrela, um afoxé repleto de metáforas que resume com naturalidade a lírica versátil do disco. Do Prazer, música em parceria com a paraense Luê, é outra que explora a mesma temática. “Ah, meu amor, você me deu muita vontade de fazer / Será que você fala fala e não me pega pra valer”, duela o casal no interior da faixa. Uma típica canção de novela, grudenta e radiofônica na medida exata.

Apreciador confesso da obra dos Novos Baianos, Brant, que em 2011 regravou o clássico Mistério do Planeta, aos poucos estabeleces pequenas pontes criativas para o trabalho do coletivo baiano. Basta uma rápida passagem pela enérgica Me Namorar, composição que brinca com a mesma sonoridade montada por Pepeu Gomes no clássico Acabou Chorare (1972). Um assertivo encontro entre o samba e o rock que se repete na dobradinha Carnaval e Sereia, esta última, parceria com a cantora mineira Juliana Perdigão.

Produto dos inúmeros carnavais que se espalham em diferentes pontos do país, Assume Que Gosta lentamente se parte em uma variedade ritmos e possibilidades. Uma pitada de “sertanejo universitário” na pegajosa A Balada, a guitarrada caricata em A Levada do Arrocha, o rock brega em Abandonado – composição originalmente gravada pelo grupo ExaltaSamba. Um verdadeiro catálogo de estilos que se amarram nos sintetizadores e guitarras de Dustan Gallas (Cidadão Instigado), um dos responsáveis pelo tempero brega que preenche o disco.

No time de colaboradores que também integram a gravação do álbum – realizada entre junho e setembro de 2015 -, nomes como Arthur Joly, João Erbetta (Marcelo Jeneci), Lenis Rino (Fernanda Takai) e o rapper Kdu dos Anjos. Responsável pela mixagem da obra, o norte-americano Victor Rice – produtor que já trabalhou com nomes como Curumin, Tulipa Ruiz e Marcelo Camelo -, ao final do disco entrega um verdadeiro presente: as versões dub de A Levada do Arrocha, Do Prazer e também da faixa-título. Uma espécie de respiro leve depois da onda de euforia que orienta o trabalho de Brant.

 

Assume Que Gosta (2016, Independente)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Felipe Cordeiro, Do Amor e Wado
Ouça: Assume Que Gosta, #Magrela e Me Namorar

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