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Disco: “At. Long. Last. A$AP”, A$AP Rocky

A$AP Rocky
Hip-Hop/Rap/R&B
http://alla.asvpxrocky.com/

Parece difícil acreditar que o mesmo A$AP Rocky de At. Long. Last. A$AP (2015, RCA) seja também o responsável pela obscura mixtape Live. Love. A$AP, de 2011. Mutável, como um novo personagem a cada lançamento de estúdio, o artista nova-iorquino talvez tenha encontrado no segundo álbum de inéditas o projeto mais complexo e ainda comercialmente acessível de toda a carreira. Um jogo instável de rimas, batidas e bases tão tortas musicalmente, quanto polidas, moldadas para o publico médio.

Curva brusca em relação ao contexto “grandioso”, por vezes exagerado, do antecessor Long. Live. ASAP (2013), com o novo registro A$AP Rocky exibe uma colcha de retalhos perfeitamente alinhados. A cada nova composição, a explícita necessidade do artista em se reinventar, conceito que transporta o ouvinte para um cenário marcado pelo uso contínuo de debates raciais, abusos com drogas, amor e, claro, um detalhado passeio pelo universo de temas centrados na vida do próprio rapper.

Síntese coesa de toda a obra, L$D, quarta faixa do disco, traz de volta o mesmo catálogo de referências lisérgicas testadas pelo artista nova-iorquino desde as primeiras mixtapes. Em marcha lenta, como uma versão delicada (e psicodélica) de músicas como PMW (All I Really Need) e Purple Swag: Chapter 2, a canção aos poucos transporta o ouvinte para um cenário urbano, flutuando entre o romantismo confesso e a completa ausência de lucidez – “Eu procuro maneiras de dizer ‘eu te amo’ / Mas eu não estou em uma canção de amor / Baby, eu estou apenas fazendo rap para este LSD”.

Outro aspecto curioso de At. Long. Last. A$AP está no maior controle das rimas. Ainda que o uso dos versos seja visível, a estreita relação do artista com o R&B lentamente estimula a maior utilização do canto. Seja de forma tímida, como em Excuse Me, ou cercado de convidados, caso de Fine Whine, parceria com Future, M.I.A. e Joe Fox, o uso de vocais alongados, polidos pelo efeito do auto-tune se destaca. Mesmo a constante interferência do cantor e colaborador Joe Fox soa como um estímulo para esse resultado, ocupando possíveis lacunas em grande parte das faixas.

Mais do que um elemento complementar, emAt. Long. Last. A$AP o canto funciona como uma espécie de amarra conceitual. Trabalho fragmentado entre diferentes produtores – caso de Danger Mouse, Kanye West, Mark Ronson e Hudson Mohawke – o disco justamente passa longe de um provável tropeço por conta da fina tapeçaria de vozes que cobre e aproxima todas as 18 composições. Uma melancólica atmosfera suja, como se o mesmo ambiente explorado na mixtape de 2011 fosse mais uma vez incorporado.

Em entrevista ao site da Billboard, A$AP Rocky afirma ter encontrado na “psicodelia dos anos 1960” e no Trip-Hop de artistas como Portishead, Massive Attack e Thom York a principal fonte de inspiração para o disco. Todavia, basta uma rápida audição para logo perceber que posicionar At. Long. Last. A$AP em um gênero ou referência específica seria um erro. Do romantismo dramático em Everyday – parceria com Rod Stewart, Miguel e Mark Ronson – ao isolamento sofredor de Better Things, diferentes cenários, temas e personagens – reais ou fictícios – convivem com naturalidade em cada brecha da obra.

At. Long. Last. A$AP (2015, RCA)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Schoolboy Q, Vince Staples e Joey Bada$$
Ouça: L$D, Everyday e Excuse Me