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Disco: “Attack On Memory”, Cloud Nothings

Cloud Nothings
Indie Rock/Noise Pop/Alternative Rock
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Cloud Nothings

Embora existam divergências quanto ao tempo certo que se estende a adolescência, sabe-se que essa fase fica dividida entre o fim da infância e o aflorar da maturidade, servindo como uma espécie de “preparação” para adentrarmos a vida adulta. Independente dos limites temporais estabelecidos, esse período varia para cada indivíduo, carecendo de um tempo maior para alguns, enquanto para outros tal período pode avançar em velocidade assombrosa. Musicalmente a adolescência do Cloud Nothings se extinguiu em tempo ainda mais acelerado.

Quando há um ano o primeiro registro oficial da banda comandada por Dylan Baldi começou a circular com relativo destaque pela blogosfera – presenteando de maneira justa aqueles que acompanhavam o músico através dos pequenos, porém ricos EPs e singles caseiros –, havia na sonoridade proposta pelo americano e seus irregulares parceiros um teor despretensioso, intenso e raivoso – algo típico dos adolescentes. Entre letras que falavam de amor, crescer e tantos outros temas próprios da idade do jovem de Cleveland, Ohio (na época com 18 anos), um cheiro forte de juventude impregnava cada canto do registro, transformando o artista em um pequeno destaque em terra de gigantes.

Contra todas as expectativas que pudessem envaidecer o jovem músico mediante o destaque conquistado ao longo dos últimos meses, Baldi reaparece agora com um novo e audacioso disco, Attack On Memory (2012, Carpark). Em pouco mais de meia hora, o cantor possibilita o nascimento de um álbum que rompe (quase) totalmente com a adolescência natural do registro anterior, encaminhando o norte-americano para um novo posto, não mais como um pequeno artista iniciante, mas agora um compositor maior, capaz de conversar com os gigantes de outrora que o cercavam.

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Se antes Baldi queria ser uma versão nova de Robert Pollard (ou talvez em menor escala um Billie Joe Armstrong longe das afetações naturais do atual Green Day), hoje ele quer ser Kurt Cobain. Por mais que a poesia de Dylan ainda esteja muito longe de alcançar a mesma genialidade raivosa e amargurada do eterno líder do Nirvana, em se tratando da sonoridade que o acompanha (e até da maneira como o músico entoa seus vocais), é possível observarmos alguns traços bem marcantes que o conectam diretamente ao memorável Bleach, pendendo em alguns momentos para um provável encontro com o clássico Nevermind.

Basta um passeio pelas mudanças constantes de ritmos das duas primeiras composições do disco – No Future/No Past e Wasted Days – com seus acordes oscilantes para traçar uma visível conexão com a constante mutabilidade que circundava o grupo de Seattle. Talvez seja possível ir ainda mais além, observando nas linhas de baixo carregadas por leves distorções prováveis aproximações com o Pixies (uma das grandes influências de Cobain), principalmente da fase Doolittle, algo que músicas como No Sentiment e Cut You, mais ao final do álbum acabam estabelecendo. Independente das influências que acompanham o Baldi atual não há como negar: nada parece se assemelhar ao artista que até pouco tempo despejava os versos rasgados de Understand At All ou Forget You All The Time.

Mesmo que algumas faixas como Fall In e Stay Useless (a mais curta do disco) ainda sejam capazes de aproximar o músico do retrato pop-punk de outrora, cruzando versos pegajosos com uma instrumentação acelerada e crescente, pouco se relaciona com o que fora vital para o jovem músico em um passado ainda recente. O Cloud Nothings de hoje é dinâmico, ainda jovial, porém se encaminhando para uma maturidade (não forçada) que o enquadra como um dos grandes grupos dessa geração. Hoje Dylan Baldi é um adulto compositor e quem não for capaz de perceber isso talvez ainda esteja vivendo sua própria adolescência.

Attack On Memory (2012, Carpark)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Smith Westerns, Beach Fossils e Male Bonding
Ouça: Wasted Days, Fall In e No Sentiment
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