""

Ano:
Selo:
Gênero:
Para quem gosta de:
Ouça:
Nota:

Disco: “Awake”, Tycho

Tycho
Ambient/Electronic/Post-Rock
http://tychomusic.com/awake/

A música de Scott Hansen é movida por uma única “ferramenta”: o detalhismo dos arranjos. Dividido entre a construção de projetos visuais e a música, o artista californiano alcança o quarto trabalho de estúdio, Awake (2014, Ghostly International), em um sentido de preservação autêntico da própria essência. Todavia, mais do que resgatar a colagem de ambientações sutis abordadas desde Sunrise Projector, de 2004, o norte-americano dá um passo além dentro da própria estética, transformando o presente disco em uma obra marcada com leveza pelo experimento.

Passo seguro em relação ao que Dive apresentou de forma madura há três anos, o novo disco vai além do orquestrado climático do disco que o antecede – uma obra, até então, centrada no uso de referências típicas da IDM. Trata-se de um disco alimentada do começo ao fim pelas possibilidades, fluxo que impera na maior inclusão de guitarras, batidas orgânicas e no uso pontual dos sintetizadores, ferramenta abordada como um complemento inteligente ao trabalho do californiano.

Desvendando a própria obra, Hansen busca observar cada composição individualmente. Enquanto músicas como Montana se acomodam no uso de guitarras ambientais, preferência que esbarra na obra de veteranos como Mark McGuire e Fennesz, outras como See reverberam o lado mais “eletrônico” do produtor. São transições pontuais pela década de 1980, um olhar atento para o som lançado pela IDM e até arranjos instrumentais que se manifestam como um produto típico da obra do Tycho. Um disco conduzido pelas possibilidades, mas nunca excessos.

Fazendo valer o título que carrega – em português “acordar”, “desperto” -, Awake cresce como uma obra de emanações matutinas. Traduzindo de forma particular as mesmas emanações acolhedoras que reverberam na obra de Boards Of Canada, além de outros artistas recentes, como Neon Indian e Washed Out, cada instante do registro evita o exagero em prol da calmaria ascendente. São nuvens de sintetizadores, guitarras controladas e uma sequência de colagens que circundam lentamente o espectador.

Com uma maior aproximação com o Pós-Rock, Awake tece uma lenta rede de acordes, bases e projeções instrumentais que buscam “contar uma história” na mente do espectador. Basta perceber como Dye e Plains traduzem de forma detalhista uma série de conceitos anunciados previamente por Tortoise, The Sea and Cake e outros artistas do gênero. Uma sensação de que tudo parece pontualmente calculado no interior da obra, ao mesmo tempo em que impera liberdade.

Mais do que um evidente exercício de criação, com o quarto álbum Hansen busca incorporar novas possibilidades ao trabalho. Seja pelo constante aproveitamento das guitarras, ou pela forma como efeitos eletrônicos são dissolvidos com sabedoria pelo disco, todos os aspecto do álbum rompem com uma provável continuação para brincar com o ineditismo. Se há três anos a obra do Tycho funcionava como um projeto isolado e particular, hoje ele clama expansão, proposta que guia cada música do álbum e, consequentemente, o próprio espectador.

 

Tycho

Awake (2014, Ghostly International)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Boards Of Canada, Neon Indian e Com Truise
Ouça: Awake, Montana e Dye