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Disco: “Bambas Dois”, BiD

BiD
Brazilian/Reggae/Dancehall
http://www.soulcity.com.br/

Por: Cleber Facchi

 

Em meados de 2006 o produtor Eduardo Bidlovski – o BiD – resolveu cercar-se de diversos parceiros musicais, indivíduos com quem havia colaborado ao longo de sua vasta carreira musical, tudo por conta de um único objetivo: lançar um projeto colaborativo que focasse na união entre os ritmos brasileiros e a música esbanjada em solo jamaicano. Da união entre estas duas vertentes – que incluía doses de maracatu, samba, dancehall e reggae -, BiD fez nascer o contagiante Bambas & Biritas, registro que contou com a participação de personagens relevantes da nossa música, como Elza Soares e Jorge Du Peixe, todos embarcados nas suaves emanações regueiras.

Meia década depois e é hora do produtor reafirmar suas parcerias, apresentando a segunda edição de seu bem recepcionado projeto. Surgindo com um número ainda maior de colaboradores e firmando de vez sua música nas emanações sonoras vindas de além mar, Bidlovski apresenta Bambas Dois. Um trabalho ainda mais caloroso e suingado que seu antecessor, projeto que não apenas reforça os laços da música brasileira com a cultura jamaicana, como praticamente anexa a ilha ao território tupiniquim.

Enquanto ao desenvolver seu primeiro registro BiD – que entre diversos trabalhos se destaca pela produção do álbum Afrociberdelia, do Chico Science e a Nação Zumbi – reforçava de forma visível sua conexão com a música nacional, com a chegada dessa sequência temos o outro lado dessa experiência. Todas as 12 faixas que compreendem o registro – 14 se incluirmos as duas músicas bônus – se voltam diretamente para a música jamaicana, algo marcado tanto pela instrumentação latente do disco, como pelas participações que o engrandecem.

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Seja na abertura do disco ao lado do lendário trio The Heptones, colaborando com o filho de Bob Marley, Ky-Mani Marley, em Brasil (que também conta com o mestre Dominguinhos) ou ao lado da cantora Queen Ifrica, cada mínimo espaço de Bambas Dois surge ocupado pela presença de músicos e da sonoridade esbanjada em solo Jamaicano. A busca constante por essa unidade musical garante um trabalho muito mais complexo, bem explorado e que mantém o dialogo entre suas composições dentro de uma linguagem puramente concisa e similar.

A predisposição aos ritmos jamaicanos, entretanto, não impedem que a música brasileira surja representada de maneira firme e claramente ressaltada em alguns momentos do álbum. A própria faixa de abertura, Music For All, nada mais é do que um baião carregado pela profusão de sons nacionais, sendo lentamente acrescida e transpassada pelas referências ao reggae. O mesmo se repete em Only Jah Love, que despeja uma sequência de sons bem explorados, mesclando a força do Maracatu com a tonalidade esvoaçada do dance hall.

Além do claro destaque ao hibridismo que classifica o disco, a escolha acertada de distintos colaboradores proporciona fôlego e força ao álbum que cresce visivelmente por conta da presença de Karina Buhr em World Cry, Chico Cesar em Little Johnny ou Siba em We Put The “M” Inna Music. Capaz de fluir sem qualquer tipo de pressão e adornado por uma musicalidade que reverbera fácil em nossos ouvidos, Bambas Dois não apenas supera seu antecessor como possibilita ao espectador uma série de faixas cantaroláveis, canções que reverberam a suavidade jamaicana e o brilho caloroso da música brasileira.

Bambas Dois (2011, Natura)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Maquinado, Curumin e Buguinha Dub
Ouça: Brasil e World Cry

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