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Disco: “Belle Époque”, Udora

Udora
Brazilian/Alternative/Indie
http://www.myspace.com/udora

 

Por: Cleber Facchi

 

Estranhos são os mecanismos que regem as lógicas do que será compreendido como um trabalho comercial e viável ao grande público. Desde a formação da indústria musical há mais de cinco décadas que somos diariamente bombardeados por uma sequência sufocante de projetos pouco ou nada satisfatórios. Trabalhos regidos por uma ordem inconsistente, redundante e muitas vezes vergonhosa, artistas e suas músicas que mesmo fracos ressurgem diariamente como uma fênix irritante de versos pobres e melodias repetitivas. Mais estranho do que isso está em não compreender como artistas tal qual a banda mineira Udora ainda não foram “descobertos” ou aceitos por essa dita indústria da cultura pop e seu imutável público.

Desde que o grupo vindo de Belo Horizonte abandonou de vez suas conexões com a música estrangeira – mobilizando todos seus esforços para a produção de um trabalho em língua pátria -, que uma verdadeira coleção de belos exemplares da música pop acabou tomando forma. Por mais que as guitarras e a formação do grupo acabe puxando o quarteto de forma óbvia para dentro dos campos do rock independente ou da música alternativa, todo o melódico conjunto de versos e sons que explodem ao longo das canções da banda os transportam diretamente para dentro da música pop.

Por mais que aos alternativos de plantão ou moderninhos em busca da última novidade nos clubes nova-iorquinos isso acabe soando como uma afronta, quiçá uma heresia, não há nada de vulgar em absorver o trabalho do grupo mineiro como um genuíno produto radiofônico e comercial. Se toda essa constatação já vinha bem definida quando a banda surgiu de fato em idos de 2007 – com o pegajoso Alô, Goodbye – é agora com a chegada de Belle Époque (2011, Independente) que o quarteto formado por Gustavo Drummond (vocal e guitarra), Marcelo Mercedo (guitarra), Daniel Debarry (baixo) e PH (bateria) alcança seu melhor e mais intenso desempenho.

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Do começo ao fim do registro somos introduzidos a um jogo de 12 bem exploradas composições, faixas que delimitam seus esforços em uma somatória de versos radiantes e uma instrumentação simples, porém limpidamente explorada. Da abertura ao som da faixa título até o desfecho entusiasmado de Seja como for (que deve agradar aos fissurados pelo rock inglês da última década), o ouvinte é simplesmente sugado para dentro de outra realidade, um universo paralelo onde tudo se encaixa de maneira pegajosa nos ouvidos, um ambiente em que guitarras bem posicionadas destilam riffs memoráveis e grudentos.

Tal qual a capa multicolorida do registro, Belle Époque reforça uma sequência de musicas marcadas por um clima festivo, rompendo bruscamente com a lógica melancólica e puramente dolorosa que guiava a totalidade do último disco. Não mais faixas como Quero Te Ver Bem e Por Que Não Tentar De Novo se fazem presentes ao longo do álbum, agora o ouvinte é assolado por uma sucessão de canções ensolaradas como E se amanhã não chegar e O mesmo outra vez, faixas que se fossem lançadas pouco antes da alvorada da internet se transformariam em verdadeiros arrasa quarteirões de qualquer programa de rádio ou canal de TV.

Por mais fácil e acessível que se desenvolva o disco, a recente obra do Udora passa longe de se anunciar como um trabalho descartável, pobre em seus versos ou convencional em sua musicalidade. Muito do que delimita o álbum se aproxima diretamente do que fora proposto por uma série de extintos artistas da década passada, bandas como Astromato e Brinde, que mesmo donas de uma sonoridade volátil e pegajosa souberam como costurar grandes composições e faixas que definiram boa parte do cenário alternativo do começo dos anos 2000. Ouvir Belle Époque é uma experiência ao mesmo tempo grandiosa e frustrante, afinal, como é que alguém ainda não descobriu um trabalho tão amplo e bem explorado quanto este?

Belle Époque (2011, Independente)

Nota: 7.5
Para quem gosta de:
Ouça: Daqui pra frente (e sempre) e O mesmo outra vez

 

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