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Disco: “Biophilia”, Björk

Björk
Icelandic/Experimental/Electronic
http://bjork.com/

Por: Cleber Facchi 

Nenhum dos caminhos que levam até os trabalhos de Björk são fáceis, entretanto, nenhum deles é tão turvo e complexo quanto o que nos encaminha ao recente Biophilia (2011, One Little Indian). Longe das batidas percussivas e do ritmo tribal que brotava de seu último e hoje distante último álbum, Volta de 2007, a islandêsa transforma seu recente álbum em um refúgio. Um trabalho que colide o urbano e o bucólico a fim de resultar uma soma de complexas sensações e diferentes experiências musicais, algumas delas até bem diferentes que quaisquer outras já anunciadas pela sempre excêntrica musicista. Um trabalho difícil, instigante e que soa como deveria ser: um disco de Björk.

Logo que os pequenos e açucarados ruídos da faixa Moon abrem o disco, parte das estratégias musicais da cantora acabam de ser lançadas. A suavidade, a predominância da voz e os sons se locomovendo delicadamente estranhos ao fundo da composição revelam em que se concentra o mais recente disco da dama da música experimental. Tomado pelas mesmas particularidades atmosféricas do delicado Medulla de 2004, em que investia na sobreposição de camadas e colagens de diversas vozes – único “instrumento” do disco, além de um gongo -, em seu novo álbum a cantora substitui as vozes sobrepostas por sintetizadores cacofônicos, que ao serem agrupados foram um intransponível castelo de reverberações densas e obscuras.

Se dividindo constantemente entre o eletrônico e tonalidades puramente acústicas, Björk vai até a década de 1990 para relembrar o clássico Post em diversos momentos, isso enquanto passeia pelo início dos anos 2000, ou mais especificamente em álbuns como Vespertine para dar um complemento doce e excêntrico ao disco. O resultado desse passeio por diferentes épocas de sua própria música acabam resultando tanto em músicas aos moldes da suave e eletrônica Crystalline (um trip-hop esquizofrênico e etéreo) como de faixas amargas e carregadas por uma percussão eletrônica sufocante, feito Sacrifice.

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Um visível oposto de suas antigas obras se revela na maneira como os sintetizadores ou mesmo os demais elementos instrumentais do disco são costurados à voz da cantora. As harmonias dos teclados são simplesmente repetidos à exaustão, gerando uma espécie de composto musical opaco que muito lembra os loopings herméticos de qualquer trabalho com foco no Drone. Em geral as faixas começam lentas, “simples”, com a cantora desenrolando uma imensa tapeçaria de sons redundantes e próximos de algo hipnótico, para só posteriormente ser cercada de pequenas batidas visivelmente limitadas, resultando em um trabalho que tanto afasta, como aproxima o espectador.

Biophilia é um álbum todo baseado em um conceito. Construído em grande parte com o auxílio de um Ipad, cada faixa do registro posteriormente será transformada em um aplicativo para o tablet da Apple, onde o ouvinte será capaz de reconfigurar a música da islandêsa ao seu próprio gosto. Diferente de outros trabalhos que recentemente têm buscado entrelaçar música e os meios virtuais ou eletrônicos – veja o recente e falho disco do Kaiser Chiefs –, cada faixa vem carregada de cuidado, com a musicista experimentando novas possibilidades de lançamento, porém não esquecendo do básico: a boa música.

É visível o quando Björk se apresenta solitária dentro deste álbum, como quase se fosse possível visualizá-la sentada em algum campo da Islândia com seu pequeno brinquedo eletrônico, enquanto magistralmente deixa fluir sua voz. Assim como qualquer trabalho da cantora Biophilia é um álbum que precisa de certa dose de paciência ou cuidado para sua melhor compreensão, entretanto, uma vez inseridos dentro do contexto do álbum torna-se difícil querer abandoná-lo, com a musicista mais uma vez causando um nó na mente do ouvinte, ao mesmo tempo em que o encanta com suas peculiares emanações.

Biophilia (2011, One Little Indian)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Portishead, Joanna Newsom e Fever Ray
Ouça: Crystalline

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