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Disco: “Bitter Rivals”, Sleigh Bells

Sleigh Bells
Noise Pop/Alternative/Lo-Fi
http://www.bitterrivals.us/

Não se deixe enganar: o pop sempre foi a principal escolha da dupla Derek E. Miller e Alexis Krauss para o trabalho do Sleigh Bells. Ainda que a avalanche de ruídos arquitetada pelo guitarrista, o passeio pelo Noise Pop e fuga lo-fi dos vocais direcionem um novo significado ao projeto, basta regressar ao alicerce de Treats (2010), estreia da banda, para perceber como todas as pistas estão lá. Dos vocais cantaroláveis de Rill Rill ao ritmo envolvente de Infinity Guitars, do riff (quase) plástico de Crown on the Ground, ao efeito grandioso de Tell ‘Em, cada música do registro faz de Krauss uma típica diva pop, apenas oculta sob cargas imensas de distorção.

Ao alcançar Bitter Rivals (2013, Mom + Pop), entretanto, toda essa barreira até então imposta pela dupla cai por terra. A opção acaba por revelar ao público o que parece ser o exemplar mais acessível e, por que não, pegajoso da recente obra do casal. Indicação que serve como arquitetura até o último instante da ainda obra. O Hip-Hop, mais uma vez, encontra os solos do Metallica, Britney Spears bate de frente com o Industrial Rock e as melodias, em um efeito nítido de expansão, ecoam audíveis e claras, sem necessariamente perder o caráter desafiador dos arranjos.

Em um encaminhamento de completa oposição ao resultado exposto no último ano, em Reign of Terror, o novo álbum foge da sombra e busca de forma assumida pelas cores. As guitarras sempre predominantes de Miller agora abrem espaço para as batidas, o que contribui de forma natural para a construção de um efeito mais dançante e comercial do projeto. Basta observar os pequenos atos crescentes da faixa-título, ou quem sabe as vozes mais abertas de Krauss, em Sugarcane e Minnie, para entender qual a real proposta da dupla com o novo disco.

Talvez para os velhos seguidores do casal, Bitter Rivals nada mais é do que uma resposta aos recentes holofotes voltados ao trabalho da banda. Uma versão plástica do que o duo conquistou desde que Crown on the Ground ganhou destaque na trilha sonora de The Bling Ring (2013), ou mesmo a própria dupla nas páginas da Rolling Stone norte-americana – como os responsáveis por um dos melhores shows da atualidade. Se esse efeito “pop” do casal incomoda, então volte ao território proposto no último disco. Mesmo os ruídos ascendentes de Comeback Kid não conseguem ocultar a busca da dupla por uma obra acessível, algo que End of the Line e You Lost Me reforçam em uma composição ainda mais clara desse efeito.

Claro que nem tudo pode ser apontado como acerto dentro dessa nova escolha da dupla. Prova mais eficiente dessa combinação exageradamente comercial que se desmancha pelo disco está em Tiger Kit. Intencionalmente “cômica”, a canção mistura samples de vacas, galos e outros animais da fazenda em um agrupado caótico que esbarra na vergonha alheia. Talvez se não fosse pelo bom desempenho melódico de You Don’t Get Me Twice ou 24, todo o eixo final da obra seria facilmente derrubado pela atuação desnecessária da música. A excessiva relação entre algumas músicas é outro problema claro do trabalho, que parece dar voltas e mais voltas em um mesmo ambiente sem grandes transformações.

Longe de repetir o mesmo teor de surpresa instalado nos dois primeiros discos, Bitter Rivals é uma obra que assume com verdadeiro acerto tudo o que dupla parece propor. Da forma prática como os versos chegam aos ouvidos, até a completa desarticulação de Derek E. Miller como o ponto central da obra, passear pelo disco é como bater de frente com um típico exemplar da música pop, porém, livre de todos os clichês que uma obra do gênero naturalmente carrega. Pena que algumas músicas prejudicam o rendimento do álbum, afinal, quando se é responsável por trabalhos como Treats e Reign of Terror, um pouquinho a mais de esforço não faria mal algum.

Bitter Rivals

Bitter Rivals (2013, Mom + Pop)

Nota: 6.3
Para quem gosta de: Charli XCX, Crystal Castles e Purity Ring
Ouça: Sugarcane, 24 e Bitter Rivals

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