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Disco: “Bixiga 70”, Bixiga 70

Bixiga 70
Afrobeat/Instrumental/Funk
http://www.bixiga70.com.br/

Som leve e dançante. Desde que o grupo Bixiga 70 trouxe a público o homônimo álbum de estreia, em idos de 2011, a busca por um som cada vez mais acessível parece apontar a direção do coletivo paulistano. Com o caminho livre, convidativo e acessível aos variados grupos de ouvintes, a banda estabelece no terceiro registro de inéditas um inevitável reforço ao mesmo tom descomplicado, brincando com a fluidez suavizada dos arranjos, porém, longe de romper com o refinamento explícito desde as primeiras canções.

Em uma direção contrária ao som abrasivo do segundo álbum da carreira, entregue há dois anos, com o presente disco, a banda se esquiva do caráter de obra “ao vivo” para focar em um isolamento típico de estúdio. Como dito, ainda que a leveza das formas instrumentais ocupe toda a estrutura montada para o disco, texturas sedutoras e a atenta manipulação dos instrumentos mantém a atenção do ouvinte em alta, sem tempo para descanso. A diferença está na forma como o grupo orienta o crescimento das faixas, detalhando uma espécie de trilha sonora involuntária.

Explícito diálogo com o trabalho de 2013, ao alcançar o terceiro álbum, a relação do grupo paulistano com Funk dos anos 1970 é observada com maior naturalidade, minúcia e seguro aproveitamento em se tratando do uso das referências. Basta se concentrar em faixas como a climática Lemba ou nos sintetizadores de Machado para perceber o efeito “soundtrack” que se espalha pelo disco. Veteranos como Curtis Mayfield, Sly & The Family Stone e Isaac Hayes são alguns dos principais nomes que aprecem “adaptados” pela obra, preferência que em nenhum momento distorce a base jazzística ou a base calcada no Afrobeat, próprio da banda.

Um dos principais destaques na construção do último álbum, a utilização de ritmos nacionais parece controlada com o novo disco. Salve a “carnavalesca” Di Dancer e Mil Vidas, um rápido passeio pela música nortista, todos os esforços da banda se concentram no reforço ao uso de temas lançados há mais de três ou quatro décadas, estrutura que caracteriza o presente álbum como o mais homogêneo do Bixiga 70. O maior aproveitamento das guitarras se revela como outra importante transformação dentro do álbum, abafando em boa parte das faixas o sempre ativo naipe de metais que acompanha o grupo desde a estreia.

Ao fundo, por vezes oculto pelo específico acervo instrumental da obra, um universo de pequenas heranças históricas, conceitos e até o posicionamento político da banda; referências que muitas vezes borbulham explícitas no título das canções. Porção mais específica desse resultado aparece na estampada na sóbria 100% 13, terceira faixa do disco. Já conhecida do público da banda, a faixas nasce como uma resposta à agressão sofrida pelo grupo durante apresentação ao lado da cantora Céu, em 2014.

Mesmo que “pop” não seja a palavra mais adequada para definir o novo álbum, difícil passear pelo disco sem que determinadas faixas “grudem” nos ouvidos, pegajosas, viciantes. Caminho seguro para o ouvinte que (talvez) não tenha se habituado ao som da banda, músicas como Di Dancer e Martelo crescem livres de prováveis experimentos, garantindo ao ouvinte um som rápido, tão dançante e seguro quanto qualquer outro grande invento dos paulistanos.

Bixiga 70 (2015, Traquitana)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Curumin, Iconili e Céu
Ouça: Machado, Di Dancer e 100% 13