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Disco: “Black Heart”, Dinho Ouro Preto

Dinho Ouro Preto
Brazilian/Rock/Alternative
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Por: Cleber Facchi

Dinho Ouro Preto
Dinho Ouro Preto é um gênio. Em quase trinta anos de carreira o cantor e compositor curitibano criou algumas das mais importantes músicas do repertório nacional. Um catálogo surpreendente de versos bem estruturados e criações repletas de sentimento que fizeram do Capital Inicial – banda em que é vocalista – o maior grupo de rock da história deste país. Filho da revolução musical que tomou conta de Brasília em idos da década de 1980, o artista chega ao ponto máximo da carreira (e de sua própria genialidade) ao lançar o automaticamente clássico Black Heart, trabalho em que toma como suas algumas das mais icônicas composições do rock internacional, impregnando nelas um pouco da maestria sentimental que parece fluir de cada poro de seu corpo.

Tão inspirado quanto em primórdios dos anos 80, quando ao lado dos irmãos Fê e Flávio Lemos construiu parte importante do que foi o panorama punk da época, Dinho se afasta com parcimônia do rock pesado que elabora atualmente para se encontrar com a calmaria e a melancolia do rock alternativo de diferentes épocas. Utilizando de letras compostas por mestres como Leonard Cohen, Ian Curtis (Joy Division) e Morrissey (The Smiths), o cantor pontua com sinceridade e beleza extrema cada mínimo fragmento lírico das composições, fazendo com que memoráveis criações como There Is a Light That Never Goes Out e Hallelujah surjam como criações próprias do artistas, faixas que parecem vindas da escrita genial e intimista de Ouro Preto.

Diferente dos dois anteriores trabalhos solos lançados por ele – Vertigo de 1994 e um álbum homônimo de 1995 -, que incluíam pérolas da poesia nacional como Freiras Lésbicas Assassinas do Inferno e Kuala Lumpur, em Black Heart Dinho surge de maneira sóbria, caminhando destemido por entre composições permeadas pela dor e o sofrimento. É simplesmente impossível se desvencilhar da maneira hipnótica com que o músico conduz o disco, mesclando desde composições vindas de tempos remotos como Suspicious Minds – eterna na voz de Elvis Presley – até registros recentes, como Steady, As She Goes, do supergrupo The Racounteurs, faixa que deve aproximar o veterano de toda uma nova geração de ouvintes. Dinho é mutável e, consequentemente, eterno.

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Embora envolvente e inteiramente assertiva, a condução sublime do álbum acaba tornando contornos polêmicos em relação a absorção de algumas das faixas. Não há como negar que Love Will Tear Us Apart, até então imortalizada na voz manhosa de Ian Curtis, ganha visível sopro de inventividade (e genialidade) por conta dos vocais sempre marcante e incomparáveis de Ouro Preto. O mesmo acontece com o single Nothing Compares 2 U e Lovesong, faixa que se estabelece muito melhor na voz do brasileiro do que nos vocais estridentes (e por vezes insuportáveis) de Robert Smith, vocalista do The Cure.

Talvez o único problema em relação ao disco seja a fragilidade da instrumentação, que por diversas vezes não consegue acompanhar os sempre competentes vocais do artista. Em músicas como Hard Sun (de Eddie Vedder) e Dancing Barefoot (de Patti Smith) é visível o quanto a banda de apoio pena para alcançar o entusiasmo (e a total entrega) do músico, que abraça cada verso das composições de maneira intensa e surpreendente. Talvez venha daí a sensação de que as versões surgem como criações próprias ao longo do disco, afinal, Dinho não poupa esforços para reformular com beleza cada uma das canções.

Black Heart é um disco para indivíduos de coração sofrido e alma sensível, pessoas que devem encontrar nas 12 surpreendentes composições do álbum uma energia docemente sorumbática e uma sensação de acolhimento que só o cantor consegue repassar. Em carreira solo, Ouro Preto se revela um artista tão completo (se não até mais) do que ao lado dos parceiros de banda, aspecto reforçado a cada instante do atual projeto. Em um cenário onde novos nomes despontam e desaparecem a cada dia, é a voz monumental e as bem escolhidas composições repaginadas por Dinho que fazem dele um artista completo e verdadeiro. Se alguém precisava de um candidato a melhor disco do ano, Black Heart assume essa posição com louvor.

Black Heart (2012, Sony Music)

Nota: 9.8
Para quem gosta de: The Smiths, Joy Division e Leonard Cohen
Ouça: o disco todo.


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