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Disco: “BLAM! BLAM!”, Jonas Sá

Jonas Sá
Nacional/Experimental/Alternative
https://www.facebook.com/jonassa.blamblam   
https://soundcloud.com/jonas-s-1

Em 2007, quem se deixou guiar pela vinheta de Anormal durante os intervalos na programação da Rede Globo, provavelmente levou um susto. Parte do processo de divulgação do recém-lançado selo SLAP – braço “independente” da Som Live -, a canção vendida apenas pelo refrão – “Todo mundo pensa que ele é anormal” – assumia uma sonoridade “curiosa” quando observada em essência, indicando um conceito ainda mais excêntrico, torto e musicalmente instável do pop tradicional quando analisada ao lado das demais composições do disco.

Em BLAM! BLAM! (2015, Coqueiro Verde), segundo e mais recente álbum de estúdio do carioca Jonas Sá, uma explícita continuação desse mesmo catálogo de (estranhas) referências. Do som eletrônico que abre o disco na inaugural 8 Bit, passando pela pervertida Chat Roulette, até alcançar a dançante Sexy Savannah, quase no fechamento do trabalho, versos, vozes, instrumentos e até mesmo os ruídos parecem articulados de forma a revelar um álbum marcado pelo experimento e completo erotismo.

Mais do que um atrativo para o ouvinte desapercebido, a provocativa imagem de capa funciona como um eficiente resumo para o conceito referencial que sustenta todo o trabalho. Trata-se de uma “homenagem” à sexualidade própria do brasileiro. Um passeio atual e ao mesmo tempo nostálgico pelos clássicos de Pornochanchada e outras mídias tomadas pelo erotismo. O próprio encarte do disco é “inspirado em revistas de pornografia de baixo custo das décadas de 1970 e 1980, conta com dois homens nus e muitos seios”, revelou Sá em entrevista ao jornal O Globo.

Muito além do visual, a relação do artista com a década de 1970/1980 funciona de estímulo para toda a composição instrumental da obra. Soul (Gigolô), Funk (Fundo do Olhar), chansons francesas (J’espère, Adèle), Synthpop (8 Bit), Techno (Sexy Savannah) e até passagens pela música tropicalista (Não é Adeus). Uma coleção de fórmulas, arranjos e fragmentos musicais completamente inusitados. Fórmulas empoeiradas que fazem do álbum um verdadeiro delírio musical, imprevisível.   

Difícil não lembrar de Sonhando Devagar (2011), primeiro registro solo do conterrâneo Kassin, ainda mais com a rápida citação ao músico em Gigolô, responsável pelo solo de sintetizadores da faixa. A própria música de abertura do álbum, 8 Bit, soa como uma possível sobra de estúdio do trabalho FREE U.S.A. (2005), parte do antigo projeto de Kassin, o eletrônico Artificial. De fluidez instável, BLAM! BLAM! ainda transporta Sá para o mesmo universo de artistas como Beck – entre os álbuns Odelay (1996) e Midnite Vultures (1999) -, tropeçando vez ou outra na obra espalhada pelo veterano Prince no decorrer da década de 1980.

Gravado no ano de 2012 e previsto para estrear em julho de 2014, BLAM! BLAM! levou quase um ano até ser oficialmente lançado. O motivo para tamanha espera? A negativa de diferentes fábricas de CDs por conta da polêmica imagem de capa que apresenta o disco. Até nos serviços de streaming e download digital, Jonas Sá teve de lidar com a censura, cobrindo a fotografia original do disco – trabalho do fotógrafo Jorge Bispo – com um cacho de bananas. Todavia, o atraso na entrega do álbum em nada prejudicou o rendimento da obra, ainda jovial e provocante em cada verso sujo, erótico e deliciosamente sarcástico tecido por Sá

BLAM! BLAM! (2015, Coqueiro Verde)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Kassin, Rubinho Jacobina e Domenico Lancellotti
Ouça: Gigolô, Chat Roulette e Sexy Savannah


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