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Disco: “Blood Pressures”, The Kills

The Kills
Indie Rock/Garage Rock/Alternative
http://www.myspace.com/thekills

Por: Cleber Facchi

Os rifes herméticos de guitarras sujas típicos de Jamie “Hotel” Hince, batidas secas e desequilibradas, os vocais certeiros de Alison “VV” Mosshart, sujeira, tudo muito direto, cru e escuro: Bem vindos a Blood Pressures (2011), quarto disco da carreira do The Kills. Pelos próximos quarenta minutos você será acompanhado por doses maciças do mais puro rock, sem pausas para descanso, canções descomprometidas ou tediosas, apenas a velha, porém eficiente fórmula da dupla inglesa.

Logo de cara uma crítica: que mania é essa das bandas mostrarem todo (ou quase todo) seu trabalho antes dele sair? Cadê o ineditismo das obras? De um tempo para cá se convencionou que um disco deve ser dissolvido lentamente via rede num exercício que quebra toda a expectativa do lançamento. Tudo bem que isso ajuda na divulgação do trabalho, assim como facilita durante as apresentações ao vivo, com o público ensaiado e cantando boa parte das novas faixas, mas isso destrói totalmente o sentimento da espera, da descoberta, onde está o novo? Antes de este álbum estrear boa parte dele já circulava por ai para ser degustado. Caros artistas: deixem-nos pelo menos o elemento surpresa, seja ela uma surpresa boa ou ruim aos seus ouvintes.

Passado o desabafo vamos enfim para o disco. O grande barato de ouvir qualquer trabalho do The Kills está na forma levemente descompromissada com que a dupla destila tanto a sonoridade como suas letras. É como se os registros fossem todos feitos de maneira tranquila e livre de pressões, o que abre a todo o momento a possibilidade para que solos vigorosos, nuances elaboradas e vocais bem empregados apareçam. Do começo ao fim este, como os demais lançamentos da banda se desenvolvem de maneira atrativa, livre de excessos e que dá gosto de ouvir.

A banda consegue em todos os 11 hits do álbum desenvolver uma sonoridade que bebe de várias épocas – principalmente do rock de garagem dos anos 70 e 80 – sempre soando de maneira inovadora e diferenciada. Ao contrário do que aparenta no The Dead Weather (com exceção do segundo disco), Mosshart parece realmente em casa. Seus vocais passeiam de maneira bela por todo o disco, evidenciando-se de maneira distinta a cada nova canção. Seja pelos momentos raivosos de DNA ou pela calmaria em The Last Goodbye, sobram possibilidades para que a bela reinvente seus vocais.

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Blood Pressures é um desses discos que valem do começo ao fim. Cada faixa parece fluir numa mesma ressonância, de maneira funcional e coerente. Embora não seja um desses discos que mudam sua vida ou mudam drasticamente os rumos da música, o álbum vale em cada mínimo acorde, batida ou reverberação vocálica. Embora sejam os vocais de “VV” o elemento que caracteriza o trabalho do duo é Hince quem domina tudo a todo o momento.

Se valendo de solos poluídos e ainda assim acessíveis de Satellite (com uma levada de reggae no melhor estilo The Clash) ou através da instrumentação mais direta de You Don’t Own The Road, o que não falta ao músico são as possibilidades de brilhar dentro desse disco. Bateria, guitarras, percussão, teclados e metade da produção do álbum (a outra parte ficou por conta do músico Bill Skibbe) tudo vindo diretamente das mãos de “Hotel”.

Embora a banda tenha soltado grande parte dos singles ou canções mais fáceis do disco há algum tempo, o reapreciar certas faixas dentro do contexto de todo o disco é extasiante. Pots and Pans, por exemplo, concentra um dos melhores momentos do casal. Os vocais abertos de Alison (acompanhados cuidadosamente pelo parceiro), os solos de guitarra no melhor estilo garage rock (sempre mesclado com blues), as batidas pesadas de bateria e um ritmo que cresce a todo o momento até o desfecho excepcional da faixa e do disco.

Blood Pressures consegue ser ainda melhor do que o anterior Midnight Boom (2008). Tudo funciona de maneira bem mais organizada, coerente e ainda mais suja. É difícil não se motivar por cada uma das belas composições do álbum. Aqui o som distorcido e as batidas claustrofóbicas se derretem e invadem nossos ouvidos sem pedir licença, mas sinceramente, depois de um registro como esse a banda tem permissão para fazer o que quiser.

Blood Pressures (2011)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: The Dead Weathers, The White Stripes e The Raveonettes
Ouça: Stellite

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