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Disco: “Brazilian Disco Club Compilation Vol. 2”, Vários Artistas

Vários Artistas
Brazilian/Electronic/Dance
https://soundcloud.com/braziliandiscoclub

Por: Cleber Facchi

Tropical

Luciano Huck passou a última década fazendo a “curadoria” de artistas estrangeiros para a coletânea Summer Electrohits. Não precisava ir tão longe. Compilando o trabalho de um time de produtores tão ou mais “tropicais” do que Kasino e Bob Sinclair, o selo paulistano Brazilian Disco Club entrega agora BDC Compilation Vol. 2. Registro de 13 canções inéditas que passeiam por diferentes pistas, estéticas e gêneros dentro da eletrônica nacional, o catálogo vai da French House aos inventos da Nu Disco sem romper com o único propósito: construir a trilha sonora perfeita para a estação.

O coro ascendente da faixa de abertura – “Ipanema/ Ipanema/ IPANEMA/ I-PA-NE-MA” -, autoria da dupla Arcade Fighters, parece ser o princípio para mergulhar de cabeça no restante da obra. Ainda que a influência venha da beira do mar (ou da borda da piscina), a composição quente do registro tem como objetivo claro movimentar as pistas. Faixa, após faixa, nomes como Palinolia (Deli) e Club Soda (Have Fun) assumem uma colagem de essências orquestradas com bom humor, mecanismo de ruptura quando próximo de outros trabalhos do gênero.

Sem se distanciar do pop – proposta evidente nos samples de Girls Just Wanna Have Fun, da cantora Cyndi Lauper, na música do paulistano Club Soda -, o registro traz na primeira metade um conjunto de músicas plenamente radiofônicas. Seja na nostalgia calorosa da faixa Soulove (de Beerlover), ou na sensualidade de Pray For You (de Real Deal), cada partícula do álbum dança com leveza por elementos que vão do Funk ao Hip-Hop tendo nos sons melódicos um ponto de apoio. A diversidade, longe de ecoar desequilíbrio, funciona como um impulso para o álbum, que se mantém em alta até a chegada da última faixa.

Tropical

Enquanto a metade inicial atende às exigências do público médio, revelando músicas de absorção imediata, para o “Lado B”, a coletânea reforça o lado mais “experimental” do projeto. Sem romper com a estética solar do disco, os cariocas Strausz (Real Art Comes From Inside Of Our Body) e DJ Guerrinha (Cheiro de Tinder na Prado Junior) assumem a responsabilidade de brincar com a mente do ouvinte. Como o ápice da embriaguez em uma festa, a dupla espalha (individualmente) batidas tortas, vozes e ruídos em uma composição que vai do lisérgico ao perturbador. Orientação que serve de respiro para o lado mais frenético do disco.

No meio dessa divisão específica de gêneros e tendências, alguns produtores parecem assumir um meio termo exato entre o fluxo “pop” e o recolhimento “experimental”. É o caso de Once or Twice, do paulistano Rafael Hysper, ou mesmo Get Down, do cada vez mais interessante Rico. Enquanto o primeiro olha com destaque para a eletrônica londrina, principalmente Disclosure, mas sem esquecer do caráter “tropical” do registro, o segundo fragmenta vozes e bases em um cenário pacato, encaixando a Balearic Beat de vez na Bossa Nova.

Desenvolvido como um mosaico tropical, o registro, mesmo versátil, em nenhum momento rompe com a forte aproximação entre as faixas. Da chillwave em Rolling Cat’s, ao toque daftpunkniano em Smile, cada composição partilha da mesma atmosfera calorosa. Apenas não esqueça de ouvir em passar o filtro solar.

 

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Brazilian Disco Club – Compilation Vol. 2

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Daft Punk, Justice e CLASSIXX
Ouça: Ipanema, Get Down e Soulove

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