"Brill Bruisers"

Ano: 2014
Selo: Matador / Last Gang
Gênero: Indie Rock, Power Pop
Para quem gosta de: Spoon, The Shins
Ouça: Brill Bruisers, War on the East Coast
Nota: 8.0

Disco: “Brill Bruisers”, The New Pornographers

Quando você acompanha uma banda responsável por produzir grandes registros em estúdio durante tanto tempo, é mais do que natural se perguntar: “quando é que eles vão errar?”. No caso do The New Pornographers, um coletivo que acumula pelo menos três grandes clássicos do rock independente – Mass Romantic (2000), Electric Version (2003) e Twin Cinema (2005) -, mais de uma década de carreira e um time imenso de colaboradores, o peso e a expectativa de “falha” parece ser ainda maior.

Em Brill Bruisers (2014, Matador / Last Gang), sexto álbum do grupo canadense, o erro não apenas passa longe de arranhar a mente do ouvinte, como o grupo ainda reforça o quanto se mantém em boa forma. Tão enérgico e abastecido de hits quanto qualquer trabalho lançado nos primeiros anos do coletivo, o sucessor do já distante Together (2010) é uma obra desenvolvida para grudar nos ouvidos. Inaugurado pela coleção de vozes em coros e guitarras coloridas da própria faixa-título, cada faixa soa como um refúgio divertido em meio a avalanche de obras também significativas, porém sérias, lançadas por cada integrante nos últimos anos.

Longe da ambientação country-melancólica explorada por Neko Case há poucos meses – em The Worse Things… (2013) -, ou mesmo das melodias lançadas por A.C. Newman em Shut Down The Streets (2012), Brill Bruisers é um registro que funciona dentro de um ambiente particular, típico das festivas/melódicas criações do The New Pornographers. Mesmo nos instantes mais “comportados” do trabalho, representado por War on the East Coast e Spidyr, ambas de Daniel Bejar, nada parece refletir a mesma atmosfera intimista de Kaputt (2011), último trabalho do músico à frente do Destroyer, sua outra banda.

Como a capa colorida bem resume, o sexto álbum do TNP é uma obra pop e sorridente mesmo nos versos mais sérios que ela possa proclamar – como em You Tell Me Where. A julgar pelo uso das harmonias de vozes e guitarras sempre dinâmicas, “radiante” é uma palavra que bem resume a atmosfera construída para o disco. De fato, faixa, após faixa, a coleção de vozes e temas joviais espalhados pelo trabalho resumem bem essa percepção.

Ainda que a coerência e rico acervo de faixas seja algo comum a cada novo registro da banda, Brill Bruisers é uma obra que se destaca de outros registros “recentes” do coletivo. Sem tropeçar, o grupo sustenta mais de 40 minutos de canções essencialmente melódicas. Um espaço seguro em que toda faixa é encarada como um presente para o ouvinte, convidado a festejar em FantasyFool, ou cantar em coro com Born with a Sound – parceria com Amber Webber, da banda Lightning Dust.

Parte desse resultado deriva do tempo que a banda levou para finalizar o trabalho. Mesmo que o grupo tenha entrado em estúdio há poucos meses, grande parte das canções foram desenvolvidas lentamente ao longo de quatro anos – maior período de hiato dentro da trajetória do grupo. Não por acaso a mudança de direção é uma constante no interior do disco, sensação que transforma Brill Bruisers em um imenso e, ainda assim, coeso agregado de fragmentos líricos, sonoros e sentimentais. Retalhos que partem de cada integrante e se completam tão logo o álbum tem início.


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