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Disco: “Caixa 1991 – 2012”, Pelvs

Pelvs
Brazilian/Indie Rock/Alternative
http://pelvs.net/

Por: Cleber Facchi

Pelvs

Uma gigante e ainda assim uma completa desconhecida do grande público. Com mais de 20 anos de carreira, a carioca Pelvs acumula em quatro álbuns de estúdio um dos repertórios mais ricos da cena independente nacional. Resultado exposto em uma frente de obras delimitadas dentro de um universo próprio, desvendado apenas por uma porção rara de ouvintes. Surgida no começo dos anos 1990, quando os grandes selos ainda dominavam a produção nacional, o grupo veio como uma representação tupiniquim das sonorizações que ocupavam o rock britânico, trazendo no clima ensolarado dos sons um exercício de transformação para o cenário proposto naquele instante.

Com versos em um inglês brando e melodias orquestradas em uma atmosfera sublime, a banda revisita tudo o que foi construído em duas décadas com o recém lançado Caixa 1991 – 2012 (2013, Midsummer Madness). Acumulado de 68 faixas, o trabalho resgata sobras de estúdio, versões demo, composições gravadas ao vivo e diversas versões para outros artistas que servem como base para o coletivo. Quatro registros que parecem espalhar de forma ordenada tudo o que foi construído não apenas pelo grupo, mas por boa parte dos artistas que ocuparam o cenário carioca desde idos da década de 1990.

Cada registro assume uma função específica dentro da imensa coletânea, concentrando de forma temática bases instrumentais que delimitam a atuação da banda em cada álbum. Enquanto o primeiro volume resgata as sobras do clássico Peninsula (2000), encaixando vez ou outra faixas ambientadas no mesmo cenário de Members to Sunna (1997) e Anotherspot (2006), a partir do Volume 2 o foco da banda está em visitar o passado com maior atenção. São, em grande parte, takes raros e completamente sujos dos sons acumulados durante a construção de Peter Greenaway’s Surf (1993). É o caso de faixas como Brazilian Food e Naïve Record Attack, músicas que praticamente transportam veteranos e jovens desbravadores do trabalho do grupo para o período em que foram gravadas.

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Embora tratado como uma obra para quem já conhece o trabalho da Pelvs – tamanho a carga de sons empoeirados pela nostalgia que se acumulam pela seleção -, cada um dos quatro álbuns cumprem um papel visível de apresentar a obra dos cariocas a toda uma nova geração de ouvintes. A escolha por uma estrutura não cronológica na forma como os quatro registros são organizados prova exatamente isso. Revelando a porção mais adulta e recente da banda, em Volume 1 há um distanciamento da crueza exposta em começo de carreira, brindando os ouvintes com uma soma de elementos calorosos, como as texturas praianas de Beans Can’t Clap ou mesmo a exposição acústica de A.L. Fucked.

Mais do que revelar parte do universo particular da própria Pelvs, a coletânea evidencia uma necessidade do grupo em expor ao público as referências que há tempos os acompanham. Esse jogo de influências aparece nas versões para We Go Down Slowly Rising (do Primal Scream), Move On Fast (de Yoko Ono) e até no resgate de The Great Broken Tree, dos conterrâneos do Second Come. Além da seleção de covers, por todo o trabalho a banda entrega pistas do que deve vir a alimentar um possível quinto registro em estúdio, caso de Soul Celebration, música de 2010 e pela primeira vez entregue ao público, ou mesmo a estranha A.L. Niquée, com versos em francês e captação registrada em 2012.

Resumo surpreendente de um dos projetos mais corajosos da cena nacional, Caixa 1991 – 2012 é ao mesmo tempo um ponto de descoberta para o trabalho da Pelvs e um prelúdio dos futuros inventos do coletivo, já encaminhados pela obra. Veterana, a banda parece manter o mesmo fôlego de quando iniciou há duas décadas, esforço visível na extrema aproximação entre as músicas e na maneira como cada faixa serve de sustento para a canção seguinte – não importando o quão ruidosa ela seja. Um retrato cru e histórico de quando o rock independente começou a ser delineado no Brasil.

Pelvs

Caixa 1991 – 2012 (2013, Midsummer Madness)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Astromato, Second Come e Killing Chainsaw

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