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Disco: “Caracal”, Disclosure

Disclosure
Electronic/UK Garage/R&B
http://www.disclosureofficial.com/

Poucos registros anunciados nos últimos meses foram aguardados com tamanha expectativa quanto Caracal. E não poderia ser diferente. Depois do bem-sucedido trabalho da dupla formada pelos irmãos Guy e Howard Lawrence em Settle (2013), estreia do Disclosure, uma sequência de faixas movidas pelo mesmo espírito nostálgico (e dançante) dos anos 1990, como Latch e When a Fire Starts to Burn, parecia indicar com naturalidade o futuro do projeto. Afinal, como não ficar entusiasmado com um disco repleto de grandes participações e nomes como Lorde, Miguel, The Weeknd e Sam Smith entre os principais convidados?

Longe de parecer um fracasso ou um trabalho sufocado pelo “monstro da expectativa”, Caracal é um registro em que a essência criativa da dupla britânica se orienta de forma a atender às exigências de cada convidado. Não se trata de um novo álbum do Disclosure, mas uma coletânea de pequenos experimentos eletrônicos/dançantes, como um estranho teste de versatilidade e sons produzidos sob encomenda pela dupla.

Um bom exemplo disso sobrevive na faixa de abertura do álbum, a extensa Nocturnal. Parceira com o canadense Abel Tesfaye (The Weeknd), a canção de quase sete minutos parece muito mais com uma faixa esquecida de Beauty Behind the Madness (2015) do que uma música que leva a assinatura do duo inglês. Perceba como batidas e sintetizadores replicam os mesmos conceitos testados e aplicados em Can’t Feel My Face, Often e todo o material entregue pelo convidado há poucos meses.

Enquanto em Settle os irmãos Lawrence pareciam ditar as regras de cada faixa, orientando o trabalho de artistas musicalmente distintos como Eliza Doolittle, AlunaGeorge e London Grammar, com a chegada de Caracal percebemos o oposto. Salve exceções, batidas, vozes e bases se articulam como músicas que seriam facilmente encontradas nos trabalhos de cada colaborador. Good Intentions em Kaleidoscope Dream (2012) de Miguel, Omen no melancólico In The Lonely Hour (2014) de Sam Smith e Superego em February 15 (2015) da jovem NAO. Mesmo Magnets, parceria com a neo-zelandesa Lorde, soa como um indicativo do material que deve abastecer o sucessor de Pure Heroine (2013).

Curiosamente, as três faixas que melhor incorporam a essência do Disclosure no trabalho passado são apresentadas em sequência no interior do presente disco. Holding On com o veterano Gregory Porter, Hourglass com a cantora Lion Babe e a entristecida Willing and Able, parceria com Kwabs. Uma trinca de composições em que batidas secas, típicas do UK Garage, abrem espaço para a precisa interferência da voz negra de cada colaborador. Pouco mais de 15 minutos em que a eletrônica e o R&B dialogam com naturalidade e acerto, arrastando o ouvinte para as pistas de forma a replicar os mesmos conceitos inaugurados em White Noise, F for You e You & Me.

Mesmo que faltem composições grandiosas aos moldes de Latch e todo o acervo comercial do disco lançado em 2013, não há como negar que em Caracal os irmãos Lawrence comprem com naturalidade a proposta de fazer o público dançar até a última faixa. Difícil escapar das batidas e vozes de Holding On, Hourglass, Good Intentions e até de músicas assumidas individualmente pela dupla – caso de Jaded e EchoesEntretanto, para quem já provou dos grooves empoeirados e bases melódicas lançadas em Settle, difícil passar pelas canções do presente disco e não pensar: “Esperava um pouco mais“.

Caracal (2015, PMR / Island)

Nota: 6.0
Para quem gosta de: AlunaGeorge, Basement Jaxx e Sam Smith
Ouça: Holding On, Hourglass e Willing and Able


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