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Disco: “Carbonated EP”, Mount Kimbie

Mount Kimbie
British/Electronic/Dubstep
http://www.myspace.com/mountkimbie

Por: Fernanda Blammer

Há quase um ano era lançado o agradável Crooks & Lovers (2010, Hotflush Recordings), trabalho que apresentava de vez a dupla Kai Campos e Dom Maker, as duas cabeças pensantes que se ocultavam através do Mount Kimbie. Em meio a batidas assíncronas, reverberações suaves, ruídos instaveis e um despojo rítmico essencial, o duo trouxe para dentro da cena eletrônica britânica um dos projetos mais inovadores daquele ano, assumindo de maneira justa um posto na enorme távola dos grandes produtores londrinos. Agora a dupla retorna, dessa vez requentando boas composições, além de trazer algumas novidades aos ouvintes.

Quem se aventurou pelas composições suaves do duo inglês acabou se encontrando com Carbonated, uma das melhores criações encontradas na estreia dos britânicos e que agora retorna para dar nome e abertura ao novo Extend Play do Mount Kimbie. A faixa, um dos melhores exemplares do que há de mais inovador no dubstep (estilo que nas mãos da dupla acabou definido como Post-Dubstep pela imprensa britânica) acaba no recente EP introduz os não iniciados em que se baseiam as composições de Campos e Maker, criando em poucos segundos um tipo de atmosfera chapada, dançante e despojada.

O destaque do álbum, entretanto, se volta para as duas inéditas Flux e Brave’s Chords. Com quase quatro minutos, a primeira composição tomada pela novidade embarca os sons da dupla em uma condução despretensiosa, em que os ruídos e as formas acústicas que se quebram na abertura da faixa são apenas um aperitivo para o conjunto de elementos e melodias que se montam na sequência. Em ritmo crescente, a música vai lentamente se adornando de teclados postos em looping e uma percussão calorosa que traz destaque à canção. Diferente do que se dissolvia no disco de estreia da dupla, Flux parece se manter em contornos mais simplistas, deixando para a canção seguinte novas possibilidades para os produtores trabalharem seus sons.

Bem menos sintética que a faixa que a precede, Brave’s Chords concentra sua instrumentação em uma fluência orgânica, agrupando diversos efeitos, delays e recortes instrumentais ampliados, deixando de lado a tendência minimalista da dupla para reproduzir algo mais rudimentar. Por conta das espessas paredes de ruídos e colagens de sons menos diversificados é possível notar certa similaridade com aquilo que o casal Aaron Coyes e Indra Dunis desenvolvem através do Peaking Lights, fazendo da curta composição um agrupado de fórmulas lo-fi que cruzam com elementos eletrônicos, dub e minimalismos sombrios.

Na sequência (três remixes), a curtíssima Adriatic acaba reformulada, deixando a condução simplista que se encontrava em Crooks & Lovers para se transformar em algo sério e quase inacessível. As duas versões restantes ficam para Carbonated, que tanto nas mãos do produtor belga Peter Van Hoesen quanto do Airhead ganham contornos mais ampliados e com leves tonalidades voltadas à música pop. Indubitavelmente um bom passatempo enquanto a dupla não volta com um álbum novo.

Carbonated EP (2011)

Nota: 7.7
Para quem gosta de: Joy Orbison, Burial e James Blake
Ouça: Flux

Jornalista, criador do Miojo Indie e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.