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Disco: “Cervantine”, A Hawk and a Hacksaw

A Hawk and a Hacksaw
Folk/Experimental/Gypsy
http://www.myspace.com/ahawkandahacksaw

Desde que Jeremy Barnes estreou em 2002 com o A Hawk and a Hacksaw que ele sabia o quanto a sombra de sua antiga banda, o Neutral Milk Hotel, poderia atrapalhar o novo projeto. Ao lado da companheira Heather Trost, lentamente a dupla foi criando seu espaço dentro do cenário alternativo, e aos poucos a sombra que antes assolava o trabalho da banda acabou se transformando em uma mera referência para as citações sobre o duo.

As composições da dupla transitam em meio a um universo que abrange a sonoridade do leste europeu, a música folk, composições do folclore norte-americano além de pequenos derivados instrumentais vindos dos quatro cantos do mundo. Comparações com artistas como Beirut e DeVothcKa são mais do que coerentes, embora o duo finalize suas canções de uma maneira muito mais experimental e quase jazzística. Contabilizando quatro trabalhos lançados até 2009, a dupla retorna agora para seu quinto disco de estúdio: Cervantine (2011).

Como o próprio nome já deixa claro o novo projeto de Barnes e Trost mantém a mesma climatização regional, mas dessa vez se aventura pelas terras da Espanha. O novo álbum vem inspirado pela obra do dramaturgo, poeta e romancista espanhol Miguel de Cervantes, dono do célebre romance Dom Quixote. A obra do escritor ganha com A Hawk and a Hacksaw uma composição que deve servir como trilha sonora para quem estiver se aventurando pelas páginas da obra. Disco e livro funcionam quase como unidade, embora o trabalho do duo não seja unicamente pensado na produção de Cervantes.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Xk8uwOmzaBo]

Cervantine vem para dar som ao cenário espanhol e todas as nuances que o cercam. Há uma clara aproximação também com a música árabe em vista da clara influência da cultura oriental que há séculos integra o território espanhol desde a chegada dos povos Mouro. Canções como Mana Thelo Enan Andra transparecem isso facilmente em sua instrumentação. Contudo a dupla não se limita somente ao velho mundo para incorporar sua sonoridade. O México e sua ambientação latina compõem boa parte das faixas do álbum, embora sejam trabalhadas em menor escala.

Além do uso de violinos, sanfonas, instrumentos de sopro e violões a dupla dá um destaque maior ao uso de percussão durante o disco. Espanola Kolo se desenvolve de maneira dinâmica através de uma cuidadosa percussão tradicional, aplicada ao fundo da faixa, enquanto violinos e trompetes assumem a direção. De maneira mais econômica The Loser (Xeftilis) também busca nas batidas percussivas um complemento ao seu som, apesar de aqui vir muito mais marcada pelo uso de um pandeiro do que dos tamborins que compõem as faixas anteriores.

Sem dúvidas o maior acerto da dupla Jeremy Barnes e Heather Trost em Cervantine foi não se manter exclusivamente dentro do cenário dos Bálcãs ou de ritmos já utilizados pelo duo para compor o recente álbum. A experimentação de novos territórios, sons e texturas evita que o trabalho se torne igual aos antigos lançamentos da dupla, dando uma visível revigorada no som do A Hawk and a Hacksaw.

Cervantine (2011)

Nota: 8.2
Para quem gosta de: Beirut, DeVotchKa e Neutral Milk Hotel
Ouça: At the Vulturul Negru

Por: Cleber Facchi


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