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Disco: “Channel Presure”, Ford & Lopatin

Ford & Lopatin
Electronic/Experimental/Alternative
http://soundcloud.com/games

Por: Cleber Facchi

Por mais que grande parte dos trabalhos que acompanhem a famigerada Chillwave sejam carregados pela preguiça, falta de criatividade e sons nada inovadores, ainda é possível nos depararmos com alguns discos que se desvencilhem de todos os elementos que trazem prejuízos ao gênero. Prova cabal disso está no trabalho de estreia da dupla Ford & Lopatin, que para muito além da fórmula redundante que polui a maioria absoluta de lançamentos do mesmo estilo opta por um seguimento novo, mais complexo, ausente das reverberações chapadas e, consequentemente proporciona um resultado bem mais interessante.

O foco de Channel Presure (2011) ainda é o mesmo encontrado nos projetos que englobam desde os grandes expoentes do gênero – Neon Indian, Toro Y Moi ou Washed Out – quanto dos artistas “menores” que abordam esse mesmo tipo de som: uma reinterpretação nostálgica da música desenvolvida na década de 80. Contudo, enquanto parte daqueles que desenvolvem esse tipo de abordagem em seus projetos optam por delays enfadonhos, recortes de sons antigos e uma nostalgia não vivenciada, a dupla – formada por Daniel Lopatin e Joel Ford – inverte esse tipo de lógica, percorrendo um caminho muito mais complexo e detalhista.

Da mesma forma que projetos como Groundislava, que transforma suas composições em uma porta de entrada para um mundo em 8Bit, ou Com Truise, fazendo de suas experimentações eletrônicas uma trilha sonora imaginária para um filme de ficção científica, na estreia dos nova-iorquinos o diferencial do trabalho está no excesso de detalhes. Se o recorte e a colagem de inúmeros tipos de som é o que caracteriza grande parte dos discos relacionados à Chillwave, para o duo norte-americano tal característica é levada ao extremo, apresentando uma vasta miscelânea de sons e formas instrumentais variados.

Os 40 segundos da faixa de abertura do disco, Scumsoft, demonstram exatamente em que se baseia todo o álbum. Sons de animais, ruídos inteligíveis, sintetizadores, sons de comerciais, filmes e séries, trechos de músicas e os mais variados formatos acústicos apontam que daquele ponto em diante é a pluralidade de formas que irá se manifestar. Partindo dessa lógica, cada uma das 13 canções seguintes se configuram em uma grande colcha de retalhos eletrônicos, transformando um caleidoscópio instrumental em uma forma única.

Além da clara preferência pelo que há de mais interessante (e tosco) na música dos anos 80, muito do que é encontrado em Channel Presure vem de décadas distintas. Emergency Room, por exemplo, através de sua sonoridade minimalista, bips robóticos e a formatação compacta acabam lembrando muito com algo produzido pelo Kraftwerk. Entretanto, mesmo brincando com sons oriundos de períodos de tempo distintos é ao desenvolver composições carregadas pela energia oitentista que a dupla alcança os melhores momentos do álbum, como na música Joey Rogers, soando como um Michael Jackson que foi quebrado e reconstruído de maneira aleatória.

Se há qualquer tipo de diferença deste para os demais lançamentos do mesmo gênero, tal resultado vem pela boa experiência de seus produtores. Tanto Lopatin quanto Ford gerenciam alguns excelentes projetos paralelos, como o Games do primeiro, que em 2010 lançou o ótimo EP That We Can Play. A maneira dinâmica e vasta de ritmos com a qual o disco é construído faz parecer que em seus quase 40 minutos atravessamos um número sem precedentes de estilos, vozes, fórmulas e etapas da música, sem que para isso fosse necessário trocar de disco. Um álbum feito com excepcional cuidado e que deve ser apreciado da mesma forma.

Channel Presure (2011)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Games, Com Truise e Toro Y Moi
Ouça: Emergency Room

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