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Disco: “Cold Spring Fault Less Youth”, Mount Kimbie

Mount Kimbie
Experimental/Electronic/Post-Dubstep
http://www.mountkimbie.com/

Por: Cleber Facchi

Mount Kimbie

O detalhe sempre foi parte fundamental no trabalho da dupla Mount Kimbie. Tendo na divisão das tarefas entre Kai Campos e Dom Maker a necessidade de estabelecer um ambiente experimental para o que posteriormente viria a ser estabelecido como pós-Dubstep, a dupla alcança quase meia década de encaixes precisos, variações instrumentais e todo um arsenal detalhista que encontra em Cold Spring Fault Less Youth (2013, Warp) um ponto claro de transformação. Segundo registro dos britânicos, o novo álbum praticamente soterra o que foi alcançado com leveza em Crooks & Lovers (2010), aproximando o duo de um cenário naturalmente inédito e aberto ao invento.

De ambientação naturalmente sombria, o disco foge a todo o instante daquilo que Would Know, Carbonated e demais composições do primeiro disco pareciam inclinadas a manifestar. As batidas, elemento necessário e ativo durante toda a composição do registro de estreia, agora se manifestam em doses, quase como se estivessem posicionadas em um segundo plano da obra. Os pequenos ruídos e reviravoltas temáticas também são parcialmente esquecidos ou tem sua presença diminuída, fazendo com que durante todo o tempo de construção do trabalho se de em cima de um imenso bloco denso de ruídos e acúmulos sonoros.

De forma bastante clara, Cold Spring traz em alguns aspectos a manifestação de um “trabalho tocado”. É como se Campos e Maker deixassem de lado as experiências eletrônicas de outrora para lidar com uma proposta de fluxo orgânico, resultado bem representado durante a construção de So Many Times, So Many Ways. Trabalhada em cima de sintetizadores que posteriormente abrem espaço para que baixo, guitarra e bateria se manifestem com destaque, a faixa consegue apontar o que alimenta em diversos instantes o novo disco, um trabalho que mesmo partindo de um propósito diferente em relação registro de 2010, assume um mesmo objetivo: Experimentar.

Ponto de mudança aparente em toda a obra, os vocais se espalham em uma medida de personificação involuntária, como se a dupla buscasse encontrar identidade e presença dentro da própria obra. Assim, as vozes recortadas e samples bem expressos em Adriatic e Mayor do trabalho anterior são observadas dentro de um novo universo com o presente disco. Logo na abertura do trabalho, Home Recording, o canto se manifesta como um ingrediente ativo, ainda que oculto em meio ao véu de condimentos sintéticos que os britânicos usam para “sujar” o álbum. Entretanto, à medida que Made To Stray, Blood And Form e demais faixas brotam pelo disco, a presença dos vocais se reforça, definindo mais uma vez as especificidades do registro.

Todavia, é na presença sombria do jovem King Krule em duas composições da obra que os vocais e as transformações do Mount Kimbie assumem real valor. Enquanto Meter, Pale, Tone incorpora o lado instrumental lentamente expresso no disco, tratando com acerto a presença da percussão bem como dos vocais, em You Took Your Time o experimento flui em uma medida de acerto natural. De propósito crescente, a composição parece arranjada especificamente para a presença de Krule, que em determinados aspectos parece dançar uma valsa lenta dentro do mesmo cenário cinza tramado no EP de estreia, lançado em 2011. Campos e Maker deixam de inventar algo particular, assumindo um caráter de produtores/colaboradores, o que talvez assusta em uma primeira medida, mas que acaba se revelando como um ponto de grande acerto para o restante da obra.

De forma muito clara, Cold Spring Fault Less Youth não consegue materializar a mesma essência do trabalho passado, entretanto, ele trata disso dentro de uma razão óbvia: Os rumos e a proposta da dupla atualmente são completamente outros. Do momento em que tem início até a formação da última música, cada aspecto da obra se alimenta de um exercício claro de reestruturação da própria base do Mount Kimbie, o que fornece um registro limitador em determinados aspectos, e talvez até mais criativo na maior parte deles.

Cold Spring Fault Less Youth (2013, Warp)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: James Blake, King Krule e Koreless
Ouça: Made To Stray e You Took Your Time

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