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Disco: “Comic Sans”, Driving Music

Driving Music
Brazilian/Indie/Indie Pop
http://driving-music.net/home/

Por: Cleber Facchi

Nada define melhor o significado do som proposto pelo projeto carioca Driving Music do que a palavra “surpresa”. Encabeçado pelo cantor e compositor Fábio Andrade (ex-Invisibles), a banda de um homem só mergulha fundo nos sons voltados ao cenário alternativo da década de 1990, exaltando um composto que mesmo caseiro e ecoa de maneira grandiosa e vasta. Em Comic Sans (2011, Midsummer Madness), o músico, acompanhado de uma série de outros representantes do rock alternativo do Rio de Janeiro se aventura no desenvolvimento de um som agridoce, intimista e minuciosamente sorumbático.

São várias as possibilidades que juntas parecem convergir para o delicado álbum. As guitarras radiantes e em alguns momentos levemente poluídas puxam o trabalho para um Yo La Tengo pós-I Can Hear the Heart Beating as One, enquanto as pequenas inserções de efeitos garantem um caráter onírico que de uma forma ou outra remetem ao The Flaming Lips do disco The Soft Bulletin. Emanações de um Belle and Sebastian em seus tempos de glória e alguns toques de Dream Pop também são absorvidos ao longo do trabalho, que parece surgir a partir do cruzamento de um vasto número de sons, gostos e estilos musicais.

Das primeiras composições lançadas pelo DM ainda em 2010 (que acabaram resultando em um EP e alguns singles), até a chegada do recente disco, Andrade parece ter utilizado de seu tempo e de suas gravações para destilar com primazia cada mínima nuance que agora é apresentada. Embora se revele como um trabalho simplista em uma primeira ou até em uma segunda audição, cada uma das composições inclusas no álbum revelam um universo de detalhes e minúsculas inserções sonoras que acabam transformando cada faixa em verdadeiros achados instrumentais, composições construídas inteiramente em cima de detalhes.

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Mesmo cantando em inglês, o carioca faz com que sua estreia garanta um caráter universal, como se  ouvinte entendesse cada uma das faixas sem exatamente compreender de fato seus conteúdos. Embora presenteie o público com versos sempre brandos e tomados de um lirismo detalhista, grande parte do que mantém constante e agradável a condução do disco está nas melodias alavancadas em cada uma das composições. Sempre repletas de variadas texturas e encaixes certeiros – que vão desde um suave acorde de violão até um delay viajado nos vocais – as canções parecem ganhar vida própria, capazes de se locomover sem que haja um controle de seu criador.

Acompanhado por músicos que fazem (ou fizeram) parte de bandas como Pelvs, Discoteque, Cabaret e Carbona, Andrade preenche qualquer possível lacuna com alguma acertada inclusão instrumental. Por todo lado efeitos eletrônicos ou suaves doses de guitarras distorcidas vão se derretendo e bloqueando qualquer tipo de fresta que pudesse prejudicar o rendimento do disco, fazendo com que Comic Sans se feche como um trabalho intocável e incrivelmente belo. Por todo lado surgem possíveis hits, composições que trafegam tanto por uma sonoridade ensolarada como em Way Back Home, como por uma musicalidade quase etérea e mística, feito a retratada na música de abertura Afterglow.

Não há como contestar o quanto o disco se mantém alheio ao que é produzido no Brasil no presente momento, entretanto, o álbum passa longe de soar como uma cópia do que é elaborado em território internacional, afinal, mesmo inserido no panorama estrangeiro Comic Sans se revela como um projeto singular. Como dito, a estreia do Driving Music se traduz em uma grande surpresa, já que em cada pequena composição, mínimo acordo ou quase imperceptível ruído há sempre algo novo, distinto e em alguns momentos quase mágico.

Comic Sans (2011, Midsummer Madness)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Yo La Tengo, Pelvs e Cícero
Ouça: Afterglow

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