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Disco: “Complex Housing”, Salva

Salva
Electronic/Beats/Dubstep
http://www.myspace.com/salvabeats

 

Por: Fernanda Blammer

Climático. Se uma palavra pudesse definir o trabalho do produtor californiano Paul Salva esta seria a nomenclatura mais exata para sua obra. Escondido em meio a camadas esvoaçadas de sons, batidas despojadas e um cruzamento de inúmeras identidades instrumentais, o norte-americano faz de seu mais recente álbum, Complex Housing (2011, Friends and Friends), um registro que concentra todos seus esforços em cima de construções minimalistas e dançantes. Mesmo próximo do que é exaltado através do UK Garage, o produtor parece buscar por uma sonoridade distinta, uma identidade que constrói aos poucos, no decorrer de seu disco.

Antes de se ocultar em meio a ruídos aquáticos, batidas minuciosas e delays sintetizados, Salva parece ter delimitado toda sua obra com base no que os grandes nomes do deep house construíram ao longo da  década de 90. Suaves passeios pelo jazz, toques de experimentalismo e uma soma absurda de sons entrelaçados edificam as bases para cada uma das dez composições do disco, faixas que evitam o máximo possível qualquer alongamento em sua duração. Em pouco mais de três minutos, o produtor consegue de forma brilhante nos encaminhar através de um vasto quebra-cabeças de sons e sensações que se ressaltam em suas músicas.

É possível ao longo do álbum nos depararmos com três tipos de composições. O primeiro ressalta faixas com um toque mais dançante e caloroso, algo bem representado pelas faixas Beached e Wake Ups, longo no abrir do álbum. O outro grupo se constitui de faixas mais ampliadas, densas e carregadas de experimentações. É o caso de Weird Science e Blue, ambas no fechamento do trabalho. No miolo do álbum se concentra o terceiro grupo de faixas, composições que absorvem referências dos dois outros grupos de canções, gerando uma mistura que se divide entre o dançante e o introspectivo, o que acaba resultando no melhor momento do disco, algo bem representado por faixas como Baroque.

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Ao mesmo tempo em que dialoga fortemente com as produções da década de 90,  Complex Housing usa das produções mais recentes do minimalismo eletrônico para dissolver sua identidade. O hip-hop instrumental e todo o panorama ressaltado pela cena Beats parecem ressaltar todo o apanhado de sonoridades novas que permeiam o álbum. É através dessas mesmas referências que Salva ressalta suas predisposições ao dubstep, algo bem delimitado na faixa I’ll Be Your Friend, faixa que se aproxima do Burial da fase Untrue (2007), mas de forma menos enevoada e mais material, densa.

Diferente do anterior trabalho do californiano, Jars de 2009, o atual registro de Salva movimenta uma sonoridade menos presa ou delimitada. Havia no último disco uma visível proximidade entre todas as composições, como se em sua totalidade as faixas percorressem uma mesma via, algo abandonado com o novo disco e que acaba revelando um tipo de som muito mais agradável. As diversas quebras de ritmos e a opção por um novo caleidoscópio de sonoridades ao longo do trabalho tornam a audição de Complex Housing muito mais ousada e dinâmica.

Em certa medida o trabalho de Salva parece funcionar como um grande resumo do que vem se construindo dentro do cenário eletrônico desde o inicio do ano e talvez até do ano passado. Há desde o minimalismo preciso de Nicolas Jaar, o dubstep radiofônico de Jamie XX, as batidas sincopadas do Gold Panda e a concisão do Flying Lotus, tudo sempre dissolvido de maneira a soar próxima e não distante do ouvinte. 40 Karats talvez seja a faixa que melhor represente o disco, acumulando desde suas frequências dançantes e comerciais até o que há de mais minucioso e climático dentro do álbum. Um álbum que parece montado tanto para as pistas, quanto para o conforto do seu quarto.

 

Complex Housing (2011, Friend and Friend)

 

Nota: 7.9
Para quem gosta de: SBTRKT, Jamie XX e Burial
Ouça: Wake Ups e Keys Open Doors

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