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Disco: “Cruel Summer”, G.O.O.D. Music

G.O.O.D. MUSIC
Hip-Hop/Rap/R&B
http://kanyewest.com/

Por: Fernanda Blammer

Cruel Summer

Kanye West é um verdadeiro gênio. Não apenas por ter lançado quatro trabalhos de pura relevância no rap que se estabeleceu na última década e nem por ter transformado My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) em uma obra-prima de valor ainda incalculável, mas por saber a hora certa (com o perdão dos termos futebolísticos) de “sair de campo”. Depois de lançada a bem construída e aguardada parceria com Jay-Z no último ano, Watch The Throne, West aparece agora cercado de um grandioso conjunto de novos colaboradores, figuras cultuadas do hip-hop contemporâneo que o ajudam a solidificar a coletânea Cruel Summer (2012, G.O.O.D. Music), uma espécie de descanso antes que West esteja de fato preparado para um novo álbum.

Montado em 2004 com o intuito de apresentar novos nomes do rap norte-americano, o selo G.O.O.D Music (a sigla vem de Getting Out Our Dreams, algo como como “realizando nossos sonhos”)  serve como a premissa para o registro que West e a soma de colaboradores que o acompanham entregam agora. Com o único intuito de promover o casting de artistas que fazem parte da gravadora (incluindo John Legend, Kid Cudi e Mos Def) o registro de 12 composições passeia por uma notória vertente de sub-gêneros dentro do hip-hop recente, incorporando pequenas anunciações de cada uma das faces que surgem pelo disco.

Embora protegido por uma premissa de acertos e conceitos que se sustentam pela capa icônica que ilustra o trabalho, da primeira à última música diversos são os terrenos incorporados pelos distintos colaboradores. Entregue ao resgate do Hip-Hop relacionado com as peculiares referências da música Pop – gênero que voltou a se destacar no último ano graças à ascensão de nomes como Kendrick Lamar e mais recentemente Schoolboy Q -, o disco traz na dúzia de canções que o definem um bolo de rimas fáceis, samples bem estabelecidos e uma diversidade de outros componentes que o tornam tão radiofônico quando qualquer disco de rap plástico que surgiu em idos dos anos 2000.

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Espécie de “host” da festa que inicia com a pegajosa To The World, Kanye West aparece em mais da metade das faixas que explodem no decorrer do álbum. Por vezes responsável pelo sustento das composições, ao mesmo tempo em que passeia como um mero nome figurativo por outras, o rapper assume uma postura duvidosa, tornando a genialidade de sua obra levemente fragilizada em alguns instantes. Sem o mínimo interesse em apresentar um trabalho tão grandioso quanto o bem planejado registro entregue em parceria com Jay-Z no último ano, o artista permite crescer um registro que mantém do começo e o fecho em um nível aceitável, mas um miolo que deteriora nitidamente.

Tudo aquilo que Clique (ótima parceria entre West, Jay-Z e Big Sean), To The World (com a produção do inteligente Hudson Mohawke) e Mercy expandem logo na abertura do disco, pouco a pouco começa a decair com a chegada das demais canções que se sobrepõem pela obra. É como se passada a boa condução de Cold (da dupla West and DJ Khaled), tudo parecesse muito igual e pouco atrativo, tornando duvidoso o rico casting de rappers que circulam pelo selo. O disco só volta a se reerguer com a chegada de Creepers, não tanto pelos versos de Kid Cudi, mas pelas bases competentes do produtor Dan Black, um aperitivo para o R&B confortável que o casal John Legend e Teyana Taylor (em mais uma contribuição de Mohawke) entrega na faixa seguinte, Bliss.

Cruel Summer enche os ouvidos de forma inegável, trazendo na produção fracionada entre grandes nomes do rap contemporâneo o principal destaque de todo o registro. O acabamento primoroso, entretanto, não consegue salvar o disco em sua totalidade, um trabalho que acaba ruindo justamente por conta dessa necessidade de soar gigante, acima dos próprios limites. Há sim uma bela mostra no elenco de colaboradores que auxiliam West nessa empreitada muito mais comercial do que sonora, porém, tudo é observado de forma separada, como se cada um apontasse para uma direção própria e nitidamente sem o interesse em compactuar com algo conciso.

Cruel Summer (2012, G.O.O.D. Music)

Nota: 6.8
Para quem gosta de: Kanye West, Jay-Z e Kid Cudi
Ouça: Clique e To The World

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