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Disco: “De Ponta a Ponta”, Mr. Bomba

Mr. Bomba
Brazilian/Rap/Hip-Hop
http://www.myspace.com/misterbomba

 

Por: Cleber Facchi

 

Em um ano em que o rap nacional (principalmente o paulistano) alcançou níveis inimagináveis, conversando com o grande público e conquistando os louvores da crítica de forma praticamente unânime, não seria de se esperar que cedo ou tarde uma vertente mais comercial do mesmo estilo se manifestasse dentro da cena brasileira. Entre nomes como Flávio Renegado e Cone Crew Diretoria, quem parece pronto para assumir essa tarefa de maneira hábil é o MC paulistano Mr. Bomba, veterano do cenário hip-hop paulista que apresenta agora o primeiro álbum em carreira solo: De Ponta a Ponta.

Longe da diversidade musical de Nó na Orelha do conterrâneo Criolo (que inclusive faz uma ponta na faixa Evolução), distante do ambiente essencialmente periférico de Projota ou Xará, e menos épico que Ogi no poético Crônicas da Cidade Cinza, Bomba opta por um trabalho radiofônico, marca que deve aproximá-lo de uma nova parcela de ouvintes. Entre passagens pelo R&B, flertes com o funk carioca e até uma óbvia conexão com o projeto paralelo do qual ajudou a desenvolver – o SP Funk -, o rapper acaba promovendo um trabalho que pode sim ser compreendido como originalmente fruto dele.

Grande parte das 17 faixas que preenchem o álbum parecem montadas para tocar em estações de rádio, programas de TV ou quaisquer outros mecanismos midiáticos que clamam pela profusão de um som acessível e voltado às massas. Dos toques regionais de Makumba (aproveitando-se do fenômeno Kuduro) ao romantismo envolvente de Melhor Assim (com participação de Jessica Melo), Bomba – nascido Marcelo Mendonça de Menezes – faz nascer um trabalho essencial, uma espécie de respiro aos versos muitas vezes sufocantes de alguns artistas brasileiros.

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 Se a faixa de abertura talvez seja capaz de assustar o espectador, tamanho o toque de misticismo e grandiosidade que ela engloba, com Boa Noite, música seguinte, o rapper parece definir em que será baseado todo o disco. Movida por um ritmo dançante – já pronto para as pistas – a canção intercala toques eletrônicos com versos que exaltam justamente a vida noturna, feito que deve render ao rapper destaque em algumas pistas pelo país afora. Entretanto, ao mesmo tempo em que se evidencia por conta dessa fluidez marcada pelo fácil, o paulistano acaba circundado por pequenos (e relevantes) erros.

Melhor exemplo disso está em Biriri, faixa tão comercial e pop que parece impedir um provável crescimento do artista, caracterizando-o como um personagem convencional, se não tão descartável quanto qualquer indivíduo propagador de um pop banal e redundante. Com versos excessivamente pegajosos, a canção rompe com a linearidade positiva do disco, algo que o rapper só consegue restabelecer posteriormente com Não Rouba a Brisa, mantendo até o final do trabalho a boa condução do registro.

Perto e ao mesmo tempo muito distante do que desenvolve com o SP Funk, o rapper acaba garantindo pouco mais de uma hora de faixas despojadas, canções capazes de nos afastar da nossa realidade e nos transportar para o mesmo diversificado universo do paulistano, que não poupa em falar de amor, críticas sociais, diversão e aspectos de um cotidiano próprio. Resta apenas esperar para ver o impacto que essa bomba irá causar. Afinal, será de fato algo grandioso ou um pequeno estalinho?

De Ponta a Ponta (2011, Matilha Cultural/+Soma)

 

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Flávio Renegado, SP Funk e Cabal
Ouça: Boa Noite e Melhor Assim