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Disco: “Defenestra!”, Pequena Morte

Pequena Morte
Brazilian/Ska/Reggae
http://www.pequenamorte.com.br/

 

Por: Fernanda Blammer

Um grande carnaval fora de hora, assim é o primeiro trabalho de estúdio da banda mineira Pequena Morte, grupo que já conta com mais de cinco anos de carreira e uma visível habilidade: jogar seu público em uma grande, calorosa e interminável festa. Firmando suas bases nos ritmos do Ska e do Reggae, mas sem perder um toque de brasilidade, a banda de Belo Horizonte e seu agrupado de seis instrumentistas vão aos poucos montando um enorme emaranhado de guitarras, naipes de metais e percussão, jogando seu público em um ambiente de puro calor, suor e celebração.

De forma suave, o sexteto inaugura o disco através de um tímido encontro entre os metais dos instrumentos de sopro e o aço das cordas da guitarra, montando um clima levemente dançante para que vozes em uma espécie de ritual africano abram de vez a faixa denominada 12 de Maio. Vocais intercalados entre português e espanhol vão aos poucos pintando um espaço ensolarado, se encontrando com a instrumentação calorosa, regressando ao clima africano, acrescentando doses de música caribenha e lentamente familiarizando o ouvinte com o vasto jogo de referências que tomam conta da sonoridade do grupo.

Menos diversificada, Tô Nem Aí mobiliza seus esforços em cima de um ska mais simplista, lembrando um Paralamas do Sucesso entre os discos Selvagem? e Bora-Bora. Mesmo com um foco maior nas guitarras, a canção não decresce o nível o disco, mantendo a mesma condução dançante da faixa anterior. A mesma fluidez prevalece também na faixa seguinte, Gangska, música que mantém o suingue caloroso, mas investe em uma musicalidade mais fechada e em versos menos festivos ao longo da canção.

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Investindo em versos pegajosos e uma musicalidade vagarosa, Xamorrê se revela como uma das melhores composições do disco, desenvolvendo uma sonoridade que exalta o reggae dos anos 70 tanto em sua sonoridade quanto através de sua letra pacificadora, quase um oposto da faixa seguinte, Ideal. Novamente acelerando o ritmo do trabalho, a canção brinca com as palavras, proporcionando uma das faixas mais radiofônicas do álbum, explorando com empenho os instrumentos de percussão, que acabam ditando as regras da faixa e delimitando a entrada dos demais instrumentos.

Intercalando momentos de samba e reggae, C.V. se apresenta como um dos poucos momentos melancólicos do álbum (se é que podemos rotular a faixa como melancólica), servindo quase como um aquecimento para a poderosa Bararuê, composição que inevitavelmente aproxima os mineiros da sonoridade proposta por Jorge Ben Jor. Fogosa, a composição mobiliza seus esforços em cima de um refrão em coro e uma sonoridade bem brasileira, lembrando muito o trabalho de Jorge Ben pós-A Tábua de Esmeralda.

Próximo de seu fim, o álbum toca de leve uma marchinha carnavalesca em Pouco a Pouco, antes de fechar de vez ao som da preguiçosa Música Pro Paulo, canção que movimenta todos os tradicionais instrumentos e sonorizações do grupo de maneira suave, quase sonolenta em alguns momentos, mas sempre de forma quente e divertida. Condizente com sua proposta, o disco bota os ouvintes para dançar, entrega alguns momentos de descanso, joga todo mundo na dança mais uma vez, até que por  fim encerre tranquilamente suas atividades. Um álbum que honra suas raízes e ainda sabe como cativar o público.

 

Defenestra! (2011, Independente)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Móveis Coloniais de Acaju, Os Paralamas do Sucesso e Los Diaños
Ouça: Bararuê


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