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Disco: “Do Whatever You Want All The Time”, Ponytail

Ponytail
Experimental/Noise Rock/Indie
http://www.myspace.com/ponytailtunes

 

Por: Cleber Facchi

Se existe uma banda assertiva esta é a Ponytail. Com apenas dois trabalhos, o quarteto já conseguiu figurar nas principais publicações musicais (especializadas ou não), sempre acompanhados de comentários acalentadores sobre seus sons malucos, repletos de experimentações mil e sempre destilados com muito bom humor. Para o terceiro disco Do Whatever You Want All The Time (2011), a banda de Baltimore segue firme nos mesmos conceitos, lançando um trabalho solto e festivo, nunca abandonando seus momentos de insanidade.

Caso tenha ficado decepcionado com o último lançamento do Deerhoof (Deerhoof Vs. Evil, 2011), esperando por mais uma boa carga de noise rock descompromissado e esquizofrênico, sem dúvidas esse terceiro disco do Ponytail irá curar sua tristeza. Em sete faixas a banda mostra a que veio com precisão de gente grande. Composta por Dustin Wong, Jeremy Hyman, Ken Seeno e Molly Siegel, o quarteto chega deixando os excessos apenas para a criatividade, indo direto ao ponto se desvinculando de enrolações.

O novo trabalho começa com Easy Peasy, uma faixa gostosa de ser ouvida, muito por conta do uso bem elaborado de sintetizadores e as guitarras em uma linguagem matemática imaginária. Durante todo o tempo os vocais de Siegel passeiam pela canção (sempre repleto de efeitos e eco) soltando vocábulos aleatórios, como se para a banda a palavra “pressão” fosse inexistente. O resto da brincadeira fica por conta dos membros restantes, que nos premiam com uma sonoridade dançante, estranha, porém divertida.

Seguindo e a banda chega com Flabbermouse, menos enérgica e um pouco mais abafada que a canção anterior. Mais uma vez Molly Siegel brinca durante a faixa, como uma criança mimada a jovem vale-se de praticamente os mesmos vocais e expressões da canção de abertura, dessa vez, porém, se evidenciando de forma mais ponderada, como se a brincadeira começasse a ter fim.

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Os vocais a todo tempo parecem como um instrumento complementar ao trabalho, casando com a real instrumentação de forma funcional.

Como sempre, Dustin Wong (principal compositor da banda) segue os passos da companheira e deixa suas guitarras fluírem de maneira despretensiosa e livre. Mesmo quando se atém a momentos mais sérios e padronizados, o músico não perde a graça e como em Honey Touches, não falha em nos entreter com seus solos quebrados e que de forma alguma se prendem a um único seguimento.

Ao contrário de outros grupos similares como Battles, Don Caballero, Mika Miko e Deerhoof, todos os sons dentro da pequena (porém bem desenvolta) discografia da banda vem carregados de uma alegria e um sentimento envolvente. O caráter anárquico do quarteto nos prende a todo momento, sendo difícil se desvincular dos vocais infantis da vocalista e da inconstância de ritmo. Mesmo em seus momentos mais “tristes”, como ocorre em Beyondersville/Flight Of Fance, o grupo não estremece e segue “coerente” do começo ao fim.

A banda mereceria todos os méritos apenas por conseguir dentro de apenas sete faixas (resultando em pouco mais de trinta minutos), transitarem por um mar colorido de sonoridades tão distintas, amarrando tudo de maneira que denote certo “sentido”. O Ponytail é uma dessas bandas que encantam por serem compostas por um grupo jovial, mas que faz o mesmo trabalho (quiçá melhor) que artistas veteranos e já conceituados. Atire-se na loucura genial do grupo e bom proveito.

 

Do Whatever You Want All The Time (2011)

 

Nota: 8.1
Para quem gosta de: Deerhoof, tUnE-yArDs e Mika Miko
Ouça: Easy Peasy

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