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Disco: “Dominae”, Ejecta

Ejecta
Synthpop/Electronic/Alternative
https://www.facebook.com/EjectaEjecta

Por: Cleber Facchi

Ejecta

Leanne Macomber e Joel Ford são dois apaixonados pela década de 1980. Enquanto a cantora e tecladista se divide de maneira assertiva entre o Dream Pop do Fight Bite e a Chillwave do Neon Indian, o músico/produtor nova-iorquino fez da própria obra um constante regresso ao passado. Do brilho pop que abastece a carreira do Tigercity, passando pela estrutura versátil que define o trabalho no Ford & Lopatin, cada música assinada pelo norte-americano surge iluminada pelo neon. Não por acaso Dominae (2013, Driftless), álbum de estreia do duo com o Ejecta, se apropria de todas essas referências, encontrando no detalhamento soturno um ponto de conjunção.

Como se buscasse resgatar todas as experiências prévias do casal e, ainda assim, aportar em um cenário de novidades, o álbum assume na forte aproximação entre as músicas um ponto natural de movimento para o disco. Principal mecanismo de toda a obra, os sintetizadores amarram tanto a tonalidade climática da produção isolada de Macomber, como as melodias simples de Ford. São passagens pelo cenário acolhedor do Dream Pop, diálogos abertos com o pop ou mesmo a busca por essências experimentais: tudo isso em cada uma das dez músicas do álbum.

Arquitetado como um típico registro dos anos 1980, Dominae faz de cada música espalhada pelo álbum um objeto de resgate específico. Enquanto Jeremiah brinca com a eletrônica em um fluxo íntimo das pistas, Its Only Love assume no composto pop uma relação de maior comunicação com o grande público – da época, claro. Por conta da necessidade da dupla em cruzar as próprias referências, todo esse arsenal de bases iniciais em pouco tempo se abrem em diversas possibilidades, estrutura que inverte a essência de cada música como um sintoma inevitável para a formação conceitual do álbum.

Correndo o risco de repetir o que há muito vem sendo feito por outros artistas, Ford e Macomber encontram no tempero experimental das músicas um ponto preciso de renovação. São pequenas rupturas no fluxo atmosférico de determinadas faixas, interpretações pouco óbvias nos momentos de maior intimidade com o pop e uma flexibilidade na posição dos vocais. Tratada (quase) como um instrumento, a voz de Macomber se espalha confortavelmente por toda a obra, reforçando desde os instantes abrandados do disco, vide a melancólica Afraid of the Dark, como os momentos de maior “celebração”, como em Beast.

Ao mesmo tempo em que tenta seguir por um caminho próprio, não há como se esquivar de diversas referências muito próximas aos projetos que antecedem a atual fase do duo. Its Only Love, por exemplo, soa como uma típica composição do Neon Indian em Psychic Chasms (2009), substituindo o clima ensolarado do disco pela noite. A própria composição mutável de Tempest e Inside repete elementos da parceria de Joel Ford com Daniel Lopatin, proposta que apenas amplia o catálogo de referências em torno da obra do Ejecta.

Embora tenha cada uma das faixas postas individualmente, Dominae é um disco que cresce por conta da própria composição homogênea que carrega. Como uma imensa faixa partilhada em atos, o registro costura todos os elementos em um mesmo conjunto instrumental, o que faz com que Mistress, na abertura do disco, se aproxime de forma natural de Tempest, no encerramento da obra. A atmosfera sombria, dissolvida em todo o álbum, estimula de forma natural o bom aproveitamento das canções, garantindo ao debut a consistência de uma trilha sonora alternativa ou a abertura para uma história de termos, essências e detalhamentos sempre específicos.

 

Ejecta

Dominae (2013, Driftless)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Ford & Lopatin, Neon Indian e Com Truise
Ouça: Its Only Love e Afraid of the Dark

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