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Disco: “Don’t Break My Love”, Vários Artistas

Vários
Electronic/Experimental/Ambient
http://www.csa.fm/clownandsunset/

Por: Cleber Facchi

Com pouco mais de 22 anos, Nicolas Jaar poderia ter feito como a maioria dos produtores veteranos de música eletrônica e ao alcançar uma fórmula de sucesso se acomodar. Afinal, passado o lançamento do álbum Space Is Only Noise no último ano e a boa repercussão por parte da crítica e do público, Jaar poderia simplesmente se aquietar no conforto de algum estúdio e vez ou outra surgir com algum novo e raro registro. Apenas imitando aquilo que Richard David James (Apex Twin), Josh Davis (DJ Shadow), Christian Fennesz e tantos outros produtores de sucesso têm feito ao longo dos últimos anos. Artistas que mesmo donos de algum atual e relevante trabalho, vivem à sombra de algo grandioso feito em um passado muitas vezes recente.

Mesmo ciente da grandiosidade do primeiro disco, Jaar tratou de aproveitar a boa repercussão em torno de sua obra para investir em uma série de novos projetos. Além de dar sequência ao curso de literatura que já vinha desenvolvendo mesmo antes de lançar o álbum de estreia, o jovem produtor tratou de firmar uma série de relevantes parcerias musicais, sendo o projeto Darkside (ao lado do colega Dave Harrington) o maior deles. Além dos inventos sonoros constantes, o norte-americano resolveu apostar em um selo próprio, o Clown & Sunset, projeto que foca no mesmo minimalismo eletrônico que bem define o trabalho do músico e visa o lançamento de novos representantes da cena eletrônica. E que forma mais coerente de divulgar esse novo selo e os artistas relacionados a ele, do que lançar de cara uma coletânea como uma série de músicas inéditas?

Mais do que concentrar uma seleção de novos representantes da cena minimal e divulgar a ainda jovem marca, em Don’t Break My Love: A Collection Of Lost Memories From Sunset & Clown, Jaar resolveu investir no formato. Longe dos padrões convencionais, o registro é lançado como um cubo especial de alumínio e papelão, contendo, além de 12 músicas inéditas, uma entrada dupla para fones de ouvido e botões onde o ouvinte controla a ordem das canções. Como resultado, a “peça decorativa” que custa exatos 40 dólares teve o primeiro lote vendido em pouco tempo, firmando (mais uma vez) o sucesso imediato do novo investimento de Jaar.

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Além da “inovadora” proposta que define o lançamento físico do trabalho, a seleção vai muito além do apelo visual que define o acabamento estético do cubo, agradando aos olhos e ouvidos do espectador na mesma medida. Cercado por uma pluralidade de novos representantes e inventores da eletrônica, Jaar deixa crescer um trabalho que mantém no reducionismo das formas o grande acerto e beleza das composições. Entre batidas controladas (Vtgnike), ambientações climáticas (Siblings Music), apelos jazzísticos (Hiathaikm) e flertes constantes com o trip-hop (Avalanche), o produtor arma uma seleção de músicas que mesmo fracionadas em diversas mãos e experiências, acaba se fechando dentro de um resultado único, como se todas as músicas viessem de fato de uma mesma mente.

Mesmo cercado por um arsenal de faixas emolduradas por novos (e desconhecidos) nomes, a grande beleza da conceitual seleção está nas quatro faixas em que Jaar deixa transbordar toda a força de sua técnica. Seja pela continuação exata do que fora testado em Space Is Only Noise no decorrer de Why Didn’t You Save Me ou a capacidade do produtor em perverter os próprios limites, como ressalta no decorrer da homônima faixa de encerramento da coletânea, cada instante do trabalho permite crescer a influência e a diversidade do trabalho de Jaar. Até quando se encontra com Will Epstein em Never Have I Ever e Ishmael, o produtor em nenhum momento deixa que a marca de seu trabalho se perca. Quem dita às regras é ele, e o ouvinte apenas ganha com isso.

A exemplo do que o selo alemão Kompakt ou o britânico Hyperdub conseguiu em suas específicas e sempre bem sucedidas coletâneas, em Don’t Break My Love Nicolas Jaar garante à seleção de faixas um caráter constante de proximidade, por vezes confundindo o trabalho de outros artistas relacionados ao recente Sunset & Clown com referências muito próximas de sua própria obra. Fechado, o trabalho se revela como um exercício e curadoria que vai além do tradicional ato de sobreposição de faixas. É como se mesmo independentes e donas de uma natureza instrumental própria, cada canção fornecesse subsídios para a construção de um trabalho único, um registro que se engrandece e assume formas bem definidas a cada nova sequência de beats, vozes ou singelos acertos eletrônicos.

Don’t Break My Love (2012, Sunset & Clown)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Nicolas Jaar, Darkside e Will Epstein
Ouça: Avalanche, Don’t Break My Love e Hiathaikm

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