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Disco: “E S T A R A”, Teebs

Teebs
Electronic/Instrumental Hip-Hop/Experimental
http://teebs.bigcartel.com/

Por: Cleber Facchi

Teebs

Mtendere Mandowa é um verdadeiro colecionador de ruídos. Herdeiro das experiências jazzísticas que orquestram o Instrumental Hip-Hop há mais de duas décadas, o produtor responsável pelo Teebs prova que a sonoridade autêntica produzida por ele desde o fim da década passada está longe de ser silenciada. Passo tímido, ainda que corajoso em relação aos inventos testados em Ardour, de 2010, E S T A R A (2014, Brainfeeder), novo álbum do californiano, aproxima as experiências lançadas pelo artista de um ambiente propositalmente místico e libertador.

Quebrando de vez a ponte que aproximava (em excesso) a obra de Teebs dos inventos lançados por Flying Lotus, parceiro do produtor, cada minuto do novo álbum opta pela densidade dos arranjos como um ponto de formação estética. Ruídos atmosféricos, batidas abafadas e uma série de experimentos testados por Mandowa há quatro anos, porém, explorados a partir de traços particulares de harmonias, trazendo no decorrer do novo disco um efeito declarado de ineditismo.

Enquanto Ardour sustentava um catálogo amplo de batidas matemáticas e uma espécie de equilíbrio constante no decorrer das faixas, em E S T A R A Teebs opta pela desconstrução. São pequenas colagens de bases climáticas, vocais transformados em instrumentos e uma constante sensação de que tudo se movimenta dentro de um mesmo universo conceitual. Da abertura, em The Endless, ao fechamento, com Grattitude, cada minuto do registro flutua, se contorce e dança de forma torta, um enquadramento que está longe de parecer seguro ao espectador.

Teebs

Ainda que livre e essencialmente experimental, com o novo disco Mandowa aproveita para mostrar ao público quais são suas grandes influências. Enquanto músicas como Piano Months reverberam a essência matutina do Boards Of Canada, na fase Music Has the Right to Children (1998), outras como SOTM transmitem nas batidas quebradas a herança do Prefuse 73. Sobram passagens aleatórias pela IDM dos anos 1990 e uma excêntrica interpretação da cena Chillout, construída no mesmo período. Instantes que nunca rompem com a autenticidade do produtor.

Outro aspecto curioso de E S T A R A em relação ao trabalho que o antecede, ou mesmo em se tratando da coletânea Collections 01, de 2011, está na forma como Teebs produz um registro para si próprio. Não se trata mais de um conjunto de criações à espera de vocais ou rimas sugestionáveis, experiência detalhada no álbum de 2010, pelo contrário, cada instante da obra funciona com plena autonomia. Prova disso está em Holiday, faixa que transforma o convidado Jonti em uma ferramenta natural nas mãos de Mandowa.

Ao mesmo tempo em que soa como um complemento ao trabalho passado, reverberando bases densas aos beats instáveis lançados pelo produtor, E S T A R A se manifesta como uma obra de (novas) possibilidades. São pequenas variações acústicas que interpretam o Jazz, a IDM e até gêneros como o Dream Pop dentro de uma convergência imensa de sons. Uma constante sensação de que as regras lançadas pelo californiano há quatro anos acabam de ser quebradas.

 

Teebs

E S T A R A (2014, Brainfeeder)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Shlohmo, Flying Lotus e Boards Of Canada
Ouça: Holiday, Shoouss Lullaby e Piano Months

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