Disco: “Emotion”, Carly Rae Jepsen

Categories Melhores Discos, Resenhas

Carly Rae Jepsen
Pop/Synthpop/R&B
https://www.carlyraemusic.com/

Quem se deixou guiar apenas por Call Me Maybe ou, pelo mesmo motivo, torceu o nariz para o segundo álbum solo de Carly Rae Jepsen, talvez tenha deixado passar um dos grandes exemplares da música pop recente. Por trás do romantismo plástico de Kiss (2012), um time seleto de produtores e a confessa necessidade da artista em brincar com o gênero, adaptando referências espalhadas por toda a década de 1980. Exagero em torno de uma “simples cantora pop”? Então como explicar a coleção de acertos e composições também radiantes de Emotion?

Terceiro registro em estúdio da artista canadense, o novo trabalho segue a cartilha de um típico registro pop: um arrasa quarteirão para as pistas de dança (I Really Like You), uma dobradinha de composições capazes de estender a permanência da jovem nas paradas de sucesso (Gimmie Love, Your Type), além, claro, de uma melancólica balada romântica (All That). Faixas de natureza radiofônica, comerciais, porém, alicerçadas em cima de um abrangente catálogo de referências.

Em entrevista à revista Billboard, Jepsen apontou nomes como “Robyn, Kimbra, La Roux e Dragonette” entre as principais influências do novo álbum. Artistas de fato centradas na música pop, porém, alheias ao som fabricado em grande parte dos estúdios norte-americanos. Bastam os saxofones nostálgicos de Run Away With Me, música de abertura do presente disco, para perceber o quanto Jepsen mantém distância desse cenário, buscando em conceitos, temas instrumentais e disputados produtores da “cena alternativa” uma espécie de novo refúgio criativo.

Do time original de produtores que acompanharam Jepsen em Kiss, poucos sobreviveram. Para ocupar a lacuna, “novatos” como Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira), Devonté Hynes (Blood Orange) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend, Discovery). Mesmo na construção das faixas mais pegajosas do disco, como I Really Like You e Your Type, a busca da cantora por produtores e compositores alheios ao cenário estadunidense serve de estímulo para o nítido toque de renovação da obra. São veteranos da música sueca – como Rami Yacoub, Carl Falk e Peter Svensson – e até conterrâneos da cena indie canadense – caso de Zachary Gray (The Zolas) e Ajay Bhattacharyya (Data Romance).

Difícil não lembrar de obras como 1989 (2014) de Taylor Swift ou mesmo de álbuns também produzidos por Ariel Rechtshaid – caso de Days Are Gone (2013) e Night Time, My Time (2013) -, trabalhos inspirados pela mesma essência pop (e nostálgica) de Jepsen. E o que dizer de clássicos recentes como Body Talk (2010) e Teenage Dream (2010), registro delicadamente dissolvidos em cada uma das 12 canções do disco.

Tamanha interferência em nenhum momento faz de Emotion uma obra de sonoridade desconexa, um possível Frankenstein da música pop. Nítida é a linha conceitual que se estica do primeiro ao último ato do álbum, como um passeio atento pelo romantismo da década de 1980 e rápidas travessia pelo R&B que em nenhum momento oculta (ou prejudica) a montagem pop projetada para vender o álbum. Assim como o álbum de 2012, um acervo dinâmico de faixas marcadas pelo romantismo (Run Away With Me), melancolia (All That) e plena confissão (When I Needed You) de Jepsen.

Emotion (2015, Interscope)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Taylor Swift, Haim e Sky Ferreira
Ouça: All That, Your Type e Run Away With Me

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Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

7 thoughts on “Disco: “Emotion”, Carly Rae Jepsen

  1. Esse álbum é genial!
    Fico surpreso que já tenha escrito uma review, pois só foi lançado no Japão até agora. Viva a internet, eu suponho.

  2. Depois de Kiss, que foi sim um dos melhores álbuns pop de 2012, minhas expectativas estavam altas para esse novo trabalho. Eu estava ansioso. E aí ela lança E.mo.tion, que superou alto minhas expectativas. Carly arrisca e não cai. Álbum maravilhoso.

  3. Eu não dava nada para a cantora de Call Me Maybe, até que vi o Kiss listado entre os melhores do ano pelo Allmusi . Fiquei surpreso e resolvi escutar e não me decepcionei. O Emotion está ainda mais robusto e envolvente. Facil ente o melhor álbum pop do ano até agora. Pena que não terá o reconhecimento que merece.

  4. A música de hj precisa de mais álbuns assim, apesar da influência dos anos 80 e 90estar bem forte e evidente aqui, há uma certa pureza do pop neste álbum. Este álbun é incrível e que merece um grande reconhecimento das premiações. “All that” parece uma segunda versão da musica “Time after time” da Cindi Lauper; “Black Heart”, ” Favorite Color” e “Love Again” lembra os primeiros trabalhos de Madonna; “I Didn’t Just Come Here To Dance” da vontade de dançar que nem nas músicas de Cher; “Making the Most of the Night” nos refrões dessa faixa, nos remete aos primeiros passos de Britney Spears na música “Baby one more time”; “Warm Blood” de tds as faixas do Emotion, Warm Blood é a mais anos80; “Gimmie Love” já nos remete ás criativas músicas de Kelie Minogue, desde a produção até os vocais; “Never get to hold You”, “When I Needed You” já tem aquele gostinho das músicas de Sandra Cretu nos anos 80; “I Really Like You”, “Runaway With Me” e “Boy Problems” ja nos lembra de novo a Cindi Lauper.Enfim, pra quem quer matar a saudade mas sem escutar um música dos anos 80, e sim datualidade, podem apostar no Emotion

  5. Emotion conseguiu fazer o que o 1989 da Taylor NÃO* conseguiu. Eu serei no primeiro comentário.

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