"Emotion"

Ano: 2015
Selo: Interscope
Gênero: Pop, Synthpop
Para quem gosta de: Taylor Swift, Haim e Sky Ferreira
Ouça: All That, Your Type e Run Away With Me
Nota: 8.5

Disco: “Emotion”, Carly Rae Jepsen

Quem se deixou guiar apenas por Call Me Maybe ou, pelo mesmo motivo, torceu o nariz para o segundo álbum solo de Carly Rae Jepsen, talvez tenha deixado passar um dos grandes exemplares da música pop recente. Por trás do romantismo plástico de Kiss (2012), um time seleto de produtores e a confessa necessidade da artista em brincar com o gênero, adaptando referências espalhadas por toda a década de 1980. Exagero em torno de uma “simples cantora pop”? Então como explicar a coleção de acertos e composições também radiantes de Emotion?

Terceiro registro em estúdio da artista canadense, o novo trabalho segue a cartilha de um típico registro pop: um arrasa quarteirão para as pistas de dança (I Really Like You), uma dobradinha de composições capazes de estender a permanência da jovem nas paradas de sucesso (Gimmie Love, Your Type), além, claro, de uma melancólica balada romântica (All That). Faixas de natureza radiofônica, comerciais, porém, alicerçadas em cima de um abrangente catálogo de referências.

Em entrevista à revista Billboard, Jepsen apontou nomes como “Robyn, Kimbra, La Roux e Dragonette” entre as principais influências do novo álbum. Artistas de fato centradas na música pop, porém, alheias ao som fabricado em grande parte dos estúdios norte-americanos. Bastam os saxofones nostálgicos de Run Away With Me, música de abertura do presente disco, para perceber o quanto Jepsen mantém distância desse cenário, buscando em conceitos, temas instrumentais e disputados produtores da “cena alternativa” uma espécie de novo refúgio criativo.

Do time original de produtores que acompanharam Jepsen em Kiss, poucos sobreviveram. Para ocupar a lacuna, “novatos” como Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira), Devonté Hynes (Blood Orange) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend, Discovery). Mesmo na construção das faixas mais pegajosas do disco, como I Really Like You e Your Type, a busca da cantora por produtores e compositores alheios ao cenário estadunidense serve de estímulo para o nítido toque de renovação da obra. São veteranos da música sueca – como Rami Yacoub, Carl Falk e Peter Svensson – e até conterrâneos da cena indie canadense – caso de Zachary Gray (The Zolas) e Ajay Bhattacharyya (Data Romance).

Difícil não lembrar de obras como 1989 (2014) de Taylor Swift ou mesmo de álbuns também produzidos por Ariel Rechtshaid – caso de Days Are Gone (2013) e Night Time, My Time (2013) -, trabalhos inspirados pela mesma essência pop (e nostálgica) de Jepsen. E o que dizer de clássicos recentes como Body Talk (2010) e Teenage Dream (2010), registro delicadamente dissolvidos em cada uma das 12 canções do disco.

Tamanha interferência em nenhum momento faz de Emotion uma obra de sonoridade desconexa, um possível Frankenstein da música pop. Nítida é a linha conceitual que se estica do primeiro ao último ato do álbum, como um passeio atento pelo romantismo da década de 1980 e rápidas travessia pelo R&B que em nenhum momento oculta (ou prejudica) a montagem pop projetada para vender o álbum. Assim como o álbum de 2012, um acervo dinâmico de faixas marcadas pelo romantismo (Run Away With Me), melancolia (All That) e plena confissão (When I Needed You) de Jepsen.

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