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Disco: “Enter The Slasher House”, Avey Tare’s Slasher Flicks

Avey Tare’s Slasher Flicks
Experimental/Psychedelic/Electronic
http://entertheslasherhouse.com/

Por: Cleber Facchi

Avey Tare

Os excessos assumidos por Dave Portner (Avey Tare) dentro de Centipede Hz (2012), último registro em estúdio do Animal Collective, estão longe de chegar ao fim. Mesmo distante do coletivo animal, o músico norte-americano (hoje) centrado em Los Angeles, Califórnia opta pela continua desconstrução dos arranjos, vozes e ritmos. Sonoridade instável incorporado com firmeza e certa dose de liberdade no interior de Enter The Slasher House (2014, Domino), obra que afasta o músico da “carreira solo” para apresentá-lo em uma nova banda.

Incorporando um sentido de proposital afastamento aos sons conquistados em Down There (2011), estreia solo do músico, o novo álbum deixa o terreno pantanoso para abraçar a esquizofrenia das formas eletrônicas. São 11 composições que equilibram a psicodelia, eletrônica rock e diferentes outros aspectos da musicalidade exposta por Tare para brincar com a mente do espectador. Se há três anos tudo o que o músico buscava pela formação de um som homogêneo, por vezes excessivamente sombrio, ao alcançar o novo projeto tudo parece fugir ao controle.

Mesmo que a “culpa” do som esquizofrênico dado ao registro seja apenas do músico, a presença de Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e Jeremy Hyman (ex-Ponytail) potencializa em excesso esse resultado. São acordes tortos de guitarra, sintetizadores que vão da década de 1970 ao presente, e toda uma série de atributos por vezes íntimos dos arranjos exaltados no álbum Strawberry Jam (2007), do próprio Animal Collective. Uma imensa geleia musical que busca tanto por condensar um som particular, como desestabilizar qualquer senso de ordem. Tare gosta mesmo é de provocar.

Longe de carregar o título e créditos da obra de forma solitária, Avey parece durante todo o tempo cutucado pelos novos parceiros de banda. Se por um lado as harmonias de Deradoorian alicerçam a base vocal e melodias lançadas pelo músico, em se tratando de Hyman, o uso quebrado da bateria força o álbum a mudar de direção. Se em instantes a calmaria desaba no mesmo som gelatinoso de Down There, logo em sequência o duo acerta um empurrão, fazendo do disco um catálogo de sons que crescem, diminuem, se arrastam e ecoam de forma dinâmica sem qualquer toque de previsibilidade.

Rompendo com qualquer linha condutora que possa crescer no decorrer da obra, Tare investe no isolamento preciso das faixas. Enquanto músicas como Little Fang se acomodam em efeitos compactos, indo da sonoridade dos anos 1960 ao tom eufórico do Of Montreal, outras como That It Won’t Grow crescem como imensos blocos de experimento. Sobram ainda músicas aos moldes de Strange Colores, com uma estranha capacidade de interpretação do pop, ou mesmo canções aos moldes de Duplex Trip, em que fazer a mente do ouvinte viajar se projeta como um único alinhamento.

É justamente o proposital desequilíbrio das faixas que impede um autêntico crescimento para a obra. São pedaços dispersos de sons que ora fazem sentido, ora não, impedindo uma possível comunicação com o ouvinte. Como se buscasse apagar de vez a precisão lírica, vocal e sonora enquadrada em Merriweather Post Pavilion (2009), Tare e os parceiros brincam com o exagero, experiência que até orquestra a formação de bons momentos, mas inviabiliza uma obra assertiva em totalidade.

 

Avey Tare

Enter The Slasher House (2014, Domino)

Nota: 6.5
Para quem gosta de: Animal Collective, Ponytail e Of Montreal
Ouça: Strange Colores, Little Fang e Duplex Trip