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Disco: “Era Extraña”, Neon Indian

Neon Indian
Electronic/Chillwave/Lo-Fi
http://www.myspace.com/neonindian

Por: Cleber Facchi

São 18:00 horas. Colorido por um vermelho alaranjado, o Sol ainda brilha no horizonte.

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Se o ano de 2009 foi o princípio de uma onda de artistas que inspirados pelo clima caloroso do verão norte-americano trouxeram de volta uma série de temáticas e gêneros que fizeram sucesso em estações passadas, então Alan Palomo através do pseudônimo de Neon Indian foi o responsável por acrescentar um pouco de tempero e proporcionar ao “movimento” certo toque de originalidade. Mesmo afundado nas emanações vindas da década de 1980 e na psicodelia que abrange grande parte dos anos 70, o jovem produtor fez de sua estreia um trabalho que soava novo, mesmo que em cada uma de suas composições escorresse doses imensuráveis de nostalgia.

Considerando Psychic Chasms, estreia de Palomo se apresentava como um trabalho voltado ao amanhecer, algo bem exemplificado pela vinheta de abertura (AM) ou mesmo pela profusão de sons levemente entusiasmados (e chapados) das faixas seguintes, então Era Extraña (2011, Static Tongues) seu segundo e mais novo álbum é inteiramente sobre o Pôr do Sol. Menos expansivas que as anteriores criações do músico original de Denton, Texas, cada uma das 12 canções que se abrigam no interior do recente disco vêm carregadas por certa dose de despedida e melancolia, como se ao mesmo tempo em que o Sol fosse se despedindo, o ritmo das faixas fosse baixando.

Assim como fora explorado no debut do Neon Indian, cada composição lançada ao longo do novo trabalho parece partilhar de uma mesma sonoridade, ritmo e fluência, fazendo com que independente do ponto do álbum em que resolvamos aportar, sempre seremos recepcionados por uma sonoridade similar, contudo, não mais tão calorosa como fora há dois anos. A forma quase opaca como os sintetizadores são posicionados no desenvolvimento das faixas, bem como o uso de versos sorumbáticos em sua essência tornam a audição do presente registro algo deveras penoso em alguns momentos, como se a sensação de “fim” ou “despedida” se apoderasse de cada segundo do disco.

Era Extraña, entretanto, passa longe de soar como um tratado musical doloroso e complexo de ser apreciado. A atmosfera estabelecia em seu interior parece se sustentar em cima de pequenas despedidas, sensações levemente melancólicas, como o último de férias, uma recordação nostálgica da infância ou a saudade de algum relacionamento que poderia dar certo, mas acabou não se realizando. Há sempre um controle que impede que faixas como Fall Out com seus teclados esvoaçados ou mesmo Polish Girl e seu toque de Boards of Canada caiam em uma musicalidade profundamente obscura, como se Palomo buscasse por um som menos enérgico, porém longe de se manifestar de forma demasiada sombria.

Por mais que o produtor texano invista em uma temática distinta quando observamos seu primeiro registro em estúdio, tanto Psychic Chasms como Era Extrña partilham de uma exata mesma experiência musical, como se um álbum na verdade completasse o outro. Embora ambos sejam tocados por uma musicalidade intencionalmente amadora, que artificialmente se projeta através frequências Lo-Fi, com o atual álbum o produtor explora um tipo de som muito mais empoeirado, como se os synths ensolarados de outrora ou os mínimos toques de limpidez instrumental fossem simplesmente descartados, evitando que o ouvinte se encontre com um trabalho repetitivo ou conceitualmente similar.

Contrário ao que outros representantes da Chillwave, como Washed Out, Toro Y Moi e Memory Tapes desenvolveram recentemente em seus projetos, Neon Indian parece ser o que mais se manteve fiel aos seus princípios instrumentais, desenvolvendo um álbum que mesmo apoiado em distintas referências e fórmulas musicas preserva de forma bastante eficaz suas origens. Era Extraña é definitivamente como um último e já fino raio de Sol em um verão que vem se estendendo há mais de dois anos e que talvez agora seja encerrado.

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São 18:42 horas. Já tomado pelo breu, o horizonte anuncia: este foi o último dia de verão.

Era Extrña (2011, Static Tongues)

Nota: 8.2
Para quem gosta de: Washed Out, Toro Y Moi e Com Truise
Ouça: Fall Out

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