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Disco: “Eternity Spin”, Pandit

Pandit
Electronic/Chillwave/Lo-Fi
http://www.myspace.com/lancesmithmusic

Por: Cleber Facchi

Não se engane por Pack Your Bags e seus contornos módicos todos trabalhados em cima de uma base acústica. A faixa de abertura do trabalho de estreia do texano Pandit oculta a real faceta e os interesses do produtor, que é um grande aficionado por música eletrônica. Pandit na verdade é Lance Smith, um interessado ouvinte dos sons e melodias dos anos 60, canções lo-fi, ritmos praieiros e que acaba de estrear seu primeiro disco, Eternity Spin (2011).

Depois de lançar alguns singles e um EP de maneira independente o produtor assinou contrato com o selo Waaga Records, por onde lança esse seu primeiro álbum de estúdio. A inspiração do texano vai desde o pop melódico de bandas como The Beach Boys, passando pelo experimentalismo dos primeiros discos do Animal Collective, além de Panda Bear ou mesmo os artistas mais recentes da chillwave, principalmente Toro Y Moi e Washed Out. Ao contrário do repetitivo número de artistas do gênero, donos de trabalhos redundantes e cansativos, Pandit consegue se apoiar e faixas que se marcam pela sofisticação e por um clima minimalista que flui como suaves brisas.

Logo após a acústica faixa de abertura o produtor chega com Artichoke, uma composição marcada pelo uso de batidas firmes, que se contrapõem aos vocais e a sonoridade quase etérea. Incontestavelmente o álbum e a faixa lembram muito Causers Of This (2010) do Toro Y Moi, feito que vai se intensificando ao longo do trabalho. Porém, nem só de comparações o álbum se orienta. O uso de instrumentação acústica mesclando com programações eletrônicas em Skivvies chega para dar um novo foco ao trabalho. O efeito é ainda visível nas canções seguintes em que a sonoridade orgânica cerca-se por pequenas inclusões de elementos sintéticos, sempre dentro de uma aura vintage.

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Em The Midi Orchestration Smith surge costurando inúmeras gravações caseiras, ruídos, acordes de violão, guitarras minimalistas e batidas esporádicas. A faixa evita que o produtor caia em repetições cercando-se inclusive de samplers de violoncelos e uma percussão excêntrica. A canção se mostra como o momento mais experimental do disco por conta de seu ritmo inconstante e desconstruções sonoras.

Depois da “lesada” Scotch que transita por um terreno mais psicodélico e que lembra levemente as composições do Real Estate, Pandit traz a primeira participação do álbum. Em We Reach Out o também produtor Star Slinger ajuda Smith a afundar o disco em uma camada obscura de ressonâncias lo-fi desordenadas. Tanto os vocais como a instrumentação e as programações eletrônicas chegam sob uma espessa camada de sujeira ruidosa. A estranheza logo dá lugar a Augustus, faixa movida por meio de uma sonoridade que lembra levemente um Beach House mais digitalizado.

Após mais um belo momento de inspiração acústica na faixa Kodiak (o produtor deveria explorar muito mais esse lado do que suas preferências eletrônicas), aquele tipo de música para se ouvir à beira mar, Lance Smith encerra o trabalho ao lado dos canadenses do Foxes In Fiction num épico estranhamente encantador com mais de nove minutos. Fazendo mais um misto de elementos acústicos com música eletrônica a dupla chega a um belo momento sonoro que une dream pop com surf music de maneira excepcional. Um trabalho bem acima da média para quem já não suporta as repetições que pipocam diariamente.

Eternity Spin (2011)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Toro Y Moi, Real Estate e Neon Indian
Ouça: Kodiak

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Jornalista, criador do Miojo Indie e integrante do podcast Vamos Falar Sobre Música. Já passou por diferentes publicações de Editora Abril, foi editor de Cultura e Entretenimento no Huffington Post Brasil, colaborou com a Folha de S. Paulo e trabalhou com Brand Experience e Creative Copywriter em marcas como Itaú e QuintoAndar. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.