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Disco: “Eu sou do tempo em que a gente se telefonava”, Blubell

Blubell
Brazilian/Female Vocalists/Pop
http://www.myspace.com/blubellspace

 

Por: Cleber Facchi

Móveis envernizados, papéis de parede com estampas em cores cítricas, garotas usando vestido de bolinhas, garotos de suéter e seus cabelos milimetricamente penteados, milk-shakes de chocolate, meninas se telefonando através de velhos aparelhos de telefone e um delicioso ar nostálgico pontuado por elementos jazzísticos. O que vale como descrição de algum filme inspirado nos anos 60/70 serve também para o novo disco da paulistana Blubell. Há tempos figura carimbada no cenário musical de São Paulo (já cantou ao lado do Funk Como Le Gusta), a jovem Isabel Garcia chega com um trabalho que tem tudo para brilhar em 2011.

Do lançamento do primeiro disco em 2006 – Slow Motion Ballet – até estrear com o novo trabalho, muitos acontecimentos entrecortaram a vida de Garcia. A começar pelo nome, o “Bluebell” do primeiro disco teve seu “e” perdido pelo caminho por conta da troca de gravadoras. Antes mesmo de o novo álbum ser consolidado a faixa Chalala já figurava em algumas rádios e principalmente na abertura do seriado global Aline, o que indubitavelmente contribuiu para uma maior popularização da artista. Muito mais madura, Blubell faz um retorno nesse que deve de fato ser considerado seu primeiro álbum, uma mescla de pop com jazz nostalgicamente bem construída.

A climatização vintage, que predomina nos minutos iniciais da faixa de abertura Música deixa bem clara as intenções de Garcia dentro desse disco. A lenta transição para uma sonoridade mais limpa ao longo da canção vai cada vez mais nos aproximando da instrumentação delicada, escorrendo pianos, arranjos de sopro e um contrabaixo impecável. Diferente do álbum de estreia, os vocais da musicista demonstram uma polidez incomparável, que invade os ouvidos por meio de seus sussurros açucarados.

Na sequência é a já conhecida Chalala, que chega para encantar por meio de sua letra literalmente convidativa. Diferente da edição encontrada na abertura do seriado, aqui a faixa ganha contornos muito mais envolventes e segue levemente arrastada. A cada final de verso Blubell solta um suspiro envolvente, que por meio da instrumentação comportada e coerentemente amarrada instala um clima de volúpia que dificilmente será abandonado ao longo do trabalho.

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Eu sou do tempo em que a gente se telefonava, título do álbum vem de um trecho da abafada Triz, canção delicadamente construída e que apenas confirma a excelência de Rui Barossi (baixo), Guilherme Marques (bateria), Daniel Muller (piano) e Beto Sporleder (sax e flauta) na sonorização das faixas. Assim como as demais canções do álbum a faixa foi gravada ao vivo em estúdio, o que intensifica o ar jazzístico que predomina dentro do trabalho. Mesmo em músicas como 1, 2, 3, 5 em que o lado mais pop do trabalho dá suas caras a banda não perde a elegância e segue mergulhando o ouvinte em um mar de acertos e delicadezas.

Para Good Hearted Woman e Pessoa Normal, Blubell convida a amiga Tulipa Ruiz para abrilhantar ainda mais o que já é vívido dentro do disco. Na primeira, as duas se dividem descendo seus vocais sedutoramente construídos, que se embelezam ainda mais por conta do ótimo arranjo de teclados e da excelente bateria que vai marcando o passo da canção. Já na segunda é a sonoridade levemente puxada para o tango e cantada inteiramente em português que o dueto flui numa maior naturalidade. Pontuada constantemente por acordes de sanfona e um quase duelo entre os vocais, a canção é outro grande acerto dentro do álbum.

O trabalho ainda segue com ótimas canções profundamente melódicas, como What If… (que acabou saindo recentemente na trilha sonora do filme Bruna Surfistinha), Estrangeira, Mão e Luva (uma das mais doces de todo o disco), fechando com a ótima Velvet Wonderland, com sua abertura engraçadinha e climatização acústica. A produção do disco fica por conta da própria Isabel Garcia, além de Maurício Tagliari, membro da banda veterana Nouvelle Cuisine, especializada na criação de faixas com uma sonoridade muito similar.

Para quem busca por um trabalho doce e cuidadosamente construído sem dúvidas esse Eu sou do tempo em que a gente se telefonava é uma dica mais do que acertada. Blubell consegue manter uma linearidade do começo ao fim do álbum, algo não encontrado em seu primeiro disco, muito por conta do trabalho com dois produtores diferentes e a forma mais “livre” durante a concepção do álbum. Não apenas a cantora, mas a banda também entrega um trabalho meticuloso, adornado por pequenos detalhamentos que fazem desse álbum um produto musical vivo e sinceramente emocional.

Eu sou do tempo em que a gente se telefonava (2011)

Nota: 8.4
para quem gosta de: Tulipa Ruiz, Nina Becker e Tiê
Ouça: Música

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