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Disco: “Familiars”, The Antlers

The Antlers
Indie/Slowcore/Dream Pop
http://antlersmusic.com/

Por: Cleber Facchi

The Antlers

Toda banda – por mais versátil que ela possa parecer – um dia encontra uma fórmula e busca sobreviver dela. Com o The Antlers não poderia ser diferente. Depois de dois álbuns recebidos de forma tímida por público e crítica – Uprooted (2006) e In the Attic of the Universe (2007) -, a banda comandada por Peter Silberman encontrou no ambiente lírico e musicalmente complexo de Hospice (2009) um natural ponto de apoio. Nascia ali o tecido conceitual do grupo nova-iorquino e a base para o recém-lançado Familiars (2014, ANTI-).

Sequência ao bem explorado Burst Apart, de 2011, o novo álbum é ao mesmo tempo uma extensão do ambiente musical concebido pela banda – completa com Michael Lerner e Darby Cicci -, e um fino aprimoramento da estética levantada há cinco anos. Naturalmente denso e carregados por versos de pura melancolia e confissão, o disco foge da raiva pontual que se escondida nos dois últimos registros para mergulhar de vez em um cenário dominado pela aceitação – mesmo que dolorosa – de diversos temas existencialistas e sentimentais.

Como qualquer obra do grupo, Silberman, explícita ou metaforicamente se transforma na matéria-prima das composições. Tão ou mais sombrio quanto no interior de Hospice, o registro mais temático do grupo aqui atui, o cantor/compositor abraça a morte em uma sequência de versos que se realçam em músicas como Intruders e Director. Todavia, enquanto nos últimos discos havia uma explícita necessidade de abertura para o espectador – vide o apelo “pop” de Two e Every Night My Teeth Are Falling Out -, hoje nada disso parece ter sobrevivido. Familiars, contrário ao próprio título, é uma obra compreendida em essência apenas por seu criador.

Se por um lado os versos de cada canção abraçam um contexto particular, em se tratando dos arranjos o novo álbum do The Antlers é uma obra libertadora. Mesmo que a base do grupo ainda seja um cruzamento entre o equilíbrio triste do Slowcore e a leveza onírica do Dream Pop, por todos os campos do disco elementos de outros campos musicais acompanham o trio. Muito desse efeito vem da transformação exercida em Undersea EP, de 2012, em que o uso de metais e guitarras menos herméticas trouxeram possibilidades abrangentes ao curto registro.

Abastecido por nove composições extensas, Familiars usa da longa duração das faixas como um estímulo para o desenvolvimento dos sons. Revisited, por exemplo, com seus mais de sete minutos de duração, tece uma lenta malha detalhista, esparramando o violoncelo de convidado Brent Arnold e o trombone de Jon Natchez, tudo isso para criar uma cama confortável para os vocais (agora) em falsete de Silberman. Mesmo quando o próprio trio assume isoladamente a formação das músicas, caso de Hotel, a multiplicidade de elementos reforça o ambiente particular do disco, guiado por harpas, solos acolhedores de guitarras e a bateria quase esfarelada de Michael Lerner.

Nada urgente, Familiars talvez seja o trabalho mais seguro do The Antlers até o momento. Ainda que a ausência de musicas comercialmente viáveis possam limitar (mais uma vez) a repercussão em torno da obra, Silberman e os parceiros abusam do enclausuramento como uma ferramenta desafiadora. Trata-se de um álbum que reverbera em doses, a seu próprio tempo e livre de qualquer traço de pressão, como em todo bom disco do grupo.

 

The Antlers

Familiars (2014, ANTI-)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Wild Beasts, The National e Perfume Genius
Ouça: Revisited, Hotel e Intruders

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2 thoughts on “Disco: “Familiars”, The Antlers

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