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Disco: “Flourish // Perish”, Braids

Braids
Experimental/Electronic/Indie
http://braidsmusic.com/

 

Por: Cleber Facchi

Braids

Não existe chão para quem atravessa o território mágico proposto pelo Braids. Hábeis representantes da nova safra de artistas canadenses, o quarteto de Calgary, Alberta encontra no manuseio suave dos arranjos, a premissa para um cenário de inventos flutuantes. Um jogo de sons leves que abraçam o etéreo e o onírico como fonte primordial para cada composição. Ponto de encontro para uma série de outros projetos da cena norte-americana, o quarteto alcança com o segundo registro em estúdio, Flourish // Perish (2013, Arbutus) uma extensão natural do disco anterior, administrando da sutileza dos arranjos um ponto evidente de reformulação.

Ainda que os experimentos etéreos prevaleçam como base para cada nova composição do grupo, a busca por uma sonoridade cada vez mais sintética aproxima a banda de um universo de novas possibilidades. Saem as tramas orgânicas apresentadas em Native Speaker (2011), estreia dos canadenses, para que todo um arsenal de inventos eletrônicos sejam derramados pelo trabalho. Talvez por influência de Raphaelle Standell-Preston, é visível uma aproximação com a essência do Blue Hawaii, projeto assinado em parceria com o produtor Alexander Cowan, e um início de percurso para as sonorizações expostas pelo novo álbum.

Além da carga de informações sonoras adicionais, à medida em que o projeto cresce, traços antigos da herança musical de cada integrante assumem maior visibilidade. Bastam as batidas minimalistas de Hossak ou as vocalizações sintéticas de Together para perceber o quanto o legado de Björk se faz presente durante o trabalho. Com composições cada vez mais extensas – boa parte das faixas ultrapassam os seis minutos de duração -, não é difícil perceber passeios assumidos pela IDM da década de 1990, as ambientações propostas nos anos 1970 ou mesmo o tempero de Kate Bush sendo derramado sem parcimônia pelo álbum. Décadas de composições captadas e transmitidas pela ótica do grupo norte-americano.

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O arranjo sublime dos sons, entretanto, não consegue evitar as pequenos erros crescem pelo trabalho. Mesmo recheado por um catálogo inventivo de canções – incluindo Amends, In Kind, Hossak e Together -, a banda cai em redundância por diversas vezes ao longo do disco. É o caso de Ebben, faixa que se divide entre as experiências eletrônicas do novo álbum e a base instrumental do trabalho anterior, nunca ultrapassando o enquadramento morno à ela concedido. A mesma falta de “entusiasmo” se faz visível na composição de Fruend, faixa que quase passa despercebida pelo trabalho, tamanha a repetição dos temas e a intensa incorporação de sons previamente expressos pelo grupo.

Se por um lado a tapeçaria eletrônica imposta pela banda evita que o grupo sustente uma cópia exata do disco passado, por outro lado a carência dos instrumentos parece limitar de forma visível o coletivo. Faltam as batidas crescentes instaladas em Glass Deers, as vocalizações densas de Lammicken e, principalmente, as guitarras temáticas encaixadas em Same Mum e demais canções de Native Speaker. Em Flourish // Perish todos os sons parecem enquadrados em uma atmosfera fria, como se a própria banda impusesse limites ao trabalho, evitando o crescimento natural já apresentado com o debut.

Mesmo a frieza dos sons não impede que o quarteto ultrapasse esse limite em alguns pontos estratégicos do álbum. Basta a estrutura semi-épica de In Kind para perceber isso. Ponto de maior acerto para a obra, a canção assume com firmeza as vozes previamente instaladas em Native Speaker, porém, dentro da nova estética da banda. O resultado está em uma versão eletrônica do Dirty Projectors, exercício que parecia indicado ao final do primeiro álbum, mas que se perde aos poucos com o novo disco. Ainda assim, Flourish // Perish está longe de decepcionar, entregando ao público e ao próprio grupo um novo cenário. Basta agora saber como explorar isso.

 

Braids

Flourish // Perish (2013, Arbutus)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Blue Hawaii, Björk e Dirty Projectors
Ouça: Amends, In Kind e Hossak

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