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Disco: “Foil Deer”, Speedy Ortiz

Speedy Ortiz
Indie/Alternative/Rock
http://speedyortiz.com/

Torres, METZ, Bully e Courtney Barnett. O que todos esses artistas têm em comum? O completo fascínio pelo rock alternativo da década de 1990. Guitarras que passeiam pela obra de gigantes como Nirvana e Sonic Youth; vocal berrado, sujo e o uso detalhado de versos confessionais, íntimos e sempre dolorosos. A marca de cada um dos principais registros apresentados há duas décadas (ou duas semanas), mas que encontram em cada novo álbum da banda norte-americana Speedy Ortiz uma dose extra de frescor.

Desde a estreia com Major Arcana, em 2013, pouco parece ter se transformado em relação ao trabalho assinado pelo grupo de Northampton, Massachusetts. Tudo não passa de uma atenta reciclagem de temas, ruídos e conceitos originalmente apresentados há 20 anos. Arranjos que crescem e “sussuram” a cada nova faixa, criando pequenos atos, como se a banda prendesse a atenção do ouvinte para depois explodir em uma avalanche de sons raivosos, crescentes. Nada que Liz Phair, PJ Harvey e toda a sequência de artista acima citados já não tenham incorporado (décadas) antes.

Então, o que torna o trabalho da Speedy Ortiz tão interessante? A resposta está na figura de Sadie Dupuis. Vocalista, guitarrista e principal compositora da banda, a cantora parece ser o ponto central de toda a obra, detalhando sentimentos, conflitos pessoais e relacionamentos de forma tão honesta que torna a “fuga” do ouvinte difícil. Não por acaso a identificação do ouvinte com os versos de cada canção é imediata, marca explícita desde a estreia com Major Arcana, seguida com o ótimo Real Hair EP (2014) e, lentamente, recuperada no interior caótico de Foil Deer (2015, Carpark Records).

Mais recente álbum de inéditas da banda, o trabalho de 12 faixas cresce, encolhe e muda de direção a cada segundo. Assim como nos últimos trabalhos de Torres (Sprinter) e Waxahatchee (Ivy Trip), Dupuis continua a servir de “matéria-prima” para as composições, encontrando na completa irregularidade das faixas uma obra movida em essência pela instabilidade. Oposto ao som homogêneo testado em Major Arcana, com Foil Deer a constante mudança de direção orienta o ouvinte até a faixa de encerramento, proposta que inicialmente bagunça a mente do espectador, mas logo se revela como uma eficaz estratégia.

Em busca de canções melódicas e raivosas, típicas do trabalho anterior? Nada que Raising The Skate, The Graduates e Zig não sejam capazes de solucionar. No interior de My Dead Girl e Dot X, instantes de puro recolhimento, passagem para o lado mais intimista e doloroso da obra. Com Homonovus, a insanidade. Lentamente, a canção cresce, muda de forma e soterra o ouvinte com uma carga exagerada de ruídos distorcidos. Sobra até para uma rápido flerte com a obra do Nine Inch Nails na “eletrônica” Puffer, talvez a composição mais estranha (e ainda interessante) de toda a carreira do grupo.

Assim como no álbum de 2013, Foil Deer mantém firme o aspecto de “coletânea de clássicos”. Sem necessariamente perder a jovialidade, o grupo passeia pela obra de veteranos coletando referências para solucionar a própria identidade musical. Uma explícita tentativa de reciclar elementos clássicos, mas que eventualmente sai dos trilhos, cresce e se transforma em um som quase próprio, difícil de ser ignorado.

Foil Deer (2015, Carpark Records)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Torres, Waxahatchee e Courtney Barnett
Ouça: Raising The Skate, My Dead Girlfriend e Puffy

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