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Disco: “Forever Today”, I’m From Barcelona

I’m From Barcelona
Swedish/Indie Pop/Twee
http://www.imfrombarcelona.com/

Por: Cleber Facchi

Esqueçam Who killed Harry Houdini (2008) e entendam 27 Songs From Barcelona (2010) como um disco à parte, mas se para fins de organização vocês precisam de um segundo disco de estúdio do I’m From Barcelona, então este é papel de Forever Today (2011), novo e inspirado álbum da big band sueca. Depois de algumas travessias pela construção de sons menos coloridos do que fora proposto no disco de estreia, Let Me Introduce My Friends (2006), a maior orquestra indie do planeta volta com mais um espetáculo musical, esbanjando o mesmo clima divertido e sonoridades alegres que originaram fãs no mundo todo.

Toda a perspectiva melancólica explorada no trabalho de 2008 é imediatamente esquecida ao sermos atingidos pela tríade de faixas que abrem o novo disco. Charlie Parker lembra Oversleeping (faixa de abertura do primeiro disco da banda) com as mesmas pessoas conversando no abrir da canção, além da sonoridade ensolarada, que cresce ainda mais pelos belos e cuidadosos arranjos do grupo atualmente composto por 27 integrantes. Get In Line, primeiro single do disco, desponta alguns passeios discretos pela eletrônica e é fácil uma das melhores de todo o novo álbum. Já Battleship entrega o caráter de orquestra, seja por sua instrumentação grandiosa ou pelo doce coro de vocais.

Se com esse trio de arrasa-quarteirões do indie pop você ainda mantém suas mágoas das antigas composições do grupo, a sequência de faixas que você encontra a seguir indubitavelmente vencerão isso. Grande maestro dessa grande orquestra, Emanuel Lundgren chega brincando com o alegre e o melancólico na suave Always Spring, faixa em que (mais uma vez) os teclados surgem como elementos fundamentais, abrindo a frente para que a percussão ou mesmo os demais instrumentos do grupo possam dar maior sustentação à canção.

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Assim como Let Me Introduce My Friends se mostrava como uma sucessão de hits intermináveis (para o delírio dos fãs), Forever Today traz a mesma formatação, presenteando o público, saudoso por novidades, com uma série encantadora de músicas embebidas por uma instrumentação doce, rimas fáceis e um fundinho de infelicidade. Isso fica perceptível em Can See Miles ou mesmo na canção título do disco, em que a sonoridade é aplicada de maneira entusiasmada, porém se afundando na criação de letras tocadas de levemente pelo triste.

Com o atual disco o I’m From Barcelona corre o infeliz risco de ser tachado de repetitivo em vista da enorme aproximação com o álbum de estreia do grupo. Porém, tratar Forever Today como uma mera cópia seria um erro sem tamanho. Boa parte do recente registro traz muito da sonoridade proposta em 27 Songs From Barcelona, em que cada um dos 27 integrantes assumiam a responsabilidade sobre uma das faixas. E é justamente isso que se vê no presente registro, uma maior participação de cada um dos integrantes, um aproveitamento ainda mais significativo tanto nos vocais quanto nos instrumentos, sendo possível identificar alguns focos de som antes imperceptíveis.

Gracioso, alegre e instrumentalmente eficaz, o quarto disco parece feito para um único público: os fãs. Desde o segundo disco de estúdio que a orquestra indie sueca vem enrolando uma continuação segura e condizente com o trabalho que os tornou conhecidos. Mesmo que o álbum de 2010 fosse de fato um ótimo registro a proposta era diferente, por isso deve ser visto como um trabalho à parte. Esse atual trabalho não apenas traz de volta todo o espírito da estreia, como abre as possibilidades que um novo grupo de fãs possa ser inaugurado.

Forever Today (2011)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: The Boy Least Likely To, The Decemberists e Architecture in Helsinki
Ouça: Get In Line

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