Disco: “Future Primitive”, The Vines

The Vines
Australian/Rock/Alternative
http://www.thevines.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Quando o The Vines lançou seu primeiro disco há quase uma década, fazer um álbum que soasse cru e visceral parecia uma quase exigência da indústria musical e do público, sedentos por um trabalho que evidenciasse algo tão impactante quanto fora Is This It (2001) do The Srtrokes. Explorando essa mesma temática, porém rumando para uma sonoridade ainda mais garageira e com fortes tendências à psicodelia, os australianos até que souberam atender as exigências, projetando dois álbuns de boa relevância para o cenário do período – Highly Evolved (2002) e Winning Days (2004). Hoje, quase dez anos depois, o quarteto volta com seu quinto disco, tentando repetir a mesma eficácia alcançada na estreia.

Depois de lançado o álbum Melodia (2008) estava mais do que visível o quanto o quarteto composto por Craig Nicholls, Ryan Griffiths, Hamish Rosser e Brad Heald precisava de férias. A baixa qualidade do trabalho (para não dizer “vergonhoso”) fazia com que a banda soasse completamente distante de tudo que já havia desenvolvido, angariando críticas pessimistas por parte da imprensa e até do público, sempre fiel e seguidor. Os três anos de afastamento, entretanto, hoje parecem ineficientes quando nos deparamos com Future Primitive (2011), mais recente e desnecessário álbum da banda.

Não é de hoje que o quarteto australiano vem se aventurando no uso excessivo de substâncias químicas lícitas e principalmente ilícitas. Mesmo antes de montar a banda, o vocalista e líder do grupo, Craig Nicholls, já apresentava um intenso histórico relacionado aos abusos com álcool, além de diversas outras drogas, algo que parece se intensificar ainda mais dentro do quinto disco. Os abusos são tantos que o álbum soa de forma inconsistente, chato e dono de uma seleção de faixas dignas de causar constrangimento. O disco é praticamente como aquele indivíduo bêbado em final de festa, falando coisas ilógicas e soando de forma inconveniente.

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Quando o enérgico single Gimme Love saiu no final de março, apresentando um clipe “inspirado” no filme Scott Pilgrim Vs. The World e com a banda lembrando muito seus primeiros discos parecia que o grupo realmente estava renovado. Ledo engano. Foi só o segundo e homônimo single sair, para o quarteto dar apontamentos concisos de que a monotonia estava de volta. A velha fórmula em unir Beatles e Nirvana, feito o que o grupo explorava com sucesso em seus primeiros discos, agora parece mais desgastada do que nunca.

Porém, o maior erro do álbum não está na construção das faixas mais “raivosas”, mas nos momentos de completa entrega à psicodelia, ou seja lá o que possa ser chamado esse tipo de “música”. Em certas canções como All That You Do ou Outro, a banda embarca em uma viagem instrumental tão chapada e imprecisa que soa vergonhosa. Fica até a dúvida se o grupo não estaria competindo com a extinta Oasis para ver quem lançaria o trabalho mais drogado e constrangedor, os britânicos com Be Here Now (1997) ou os australianos com seu novo disco?

Os “veteranos” perdem facilmente para os conterrâneos do Tame Impala, que ao contrário de  Future Primitive fizeram de Innerspeaker (2010), seu disco de estreia, uma verdadeira mostra de como propor um som viajado, porém bem elaborado. Com o novo álbum, o The Vines comprova ainda mais o quanto determinadas bandas que fizeram sucesso na década passada devem mais é permanecer por lá, antes que todo o sucesso angariado de forma suada seja simplesmente descartado.

 

Future Primitive (2011)

 

Nota: 3.0
Para quem gosta de: Jet, The Hives e Black Rebel Motorcycle Club
Ouça: Gimme Love

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