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Disco: “Garden of Delete”, Oneohtrix Point Never

Oneohtrix Point Never
Experimental/Electronic/Ambient
https://www.facebook.com/oneohtrix/

 

Poucas vezes antes um trabalho de Daniel Lopatin pareceu tĂŁo raivoso quanto Garden of Delete (2015, Warp). Oitavo registro de inĂ©ditas do produtor estadunidense, o ĂĄlbum que segue a boa fase iniciada em Returnal, de 2010, talvez seja o projeto mais ambicioso e ainda assim honesto de toda a carreira do artista. Trata-se de um reflexo da prĂłpria adolescĂȘncia do Lopatin e toda a influĂȘncia de clĂĄssicos do Grunge e Heavy Metal na educação musical do artista.

Convidado a excursionar ao lado de Nine Inch Nails e Soundgarden em 2014, ocupando a vaga do temporariamente extinto coletivo Death Grips, Lopatin transporta para dentro do presente registro o mesmo som instĂĄvel apresentado ao lado dos veteranos do rock alternativo no Ășltimo ano. Um meio termo entre o rico catĂĄlogo de bases experimentais testados desde o fim da dĂ©cada passada e toda a massa de sons robĂłticos aplicados pelo produtor nas apresentaçÔes da Ășltima turnĂȘ. 

Ao mesmo tempo em que a essĂȘncia climĂĄtica do clĂĄssico Replica (2011) parece preservada em boa parte do registro, durante toda a produção da obra, Lopatin se concentra em bagunçar o esboço anteriormente apresentado em R Plus Seven (2013). De forma acelerada, crescente, faixas como I Bite Through It e Mutant Standard replicam com naturalidade o mesmo conjunto de elementos incorporados no disco lançado hĂĄ dois anos. A diferença estĂĄ nas constantes quebras e curvas bruscas assumidas pelos sintetizadores de Lopatin.

Enquanto composiçÔes como Boring Angels e Chrome Country, ambas do disco anterior, pareciam seguir um percurso “linear”, mesmo em meio a experimentos tĂ­picos da obra de Oneohtrix Point Never, em Garden of Delete, faixa, apĂłs faixa, Lopatin se concentra em bagunçar (ainda mais) a interpretação do ouvinte. Lidando com fragmentos resgatados de uma imensa lixeira virtual, o produtor recorta, adapta, encaixa e cola diferentes peças instrumentais que provocam o pĂșblico atĂ© ruĂ­do final de No Good.  

Interessante perceber que mesmo dentro desse labirinto de temas eletrĂŽnicos, nĂŁo sĂŁo poucos os momentos em que Lopatin parece “confortar” o ouvinte. Nunca antes o trabalho do artista norte-americano pareceu tĂŁo “acessĂ­vel” quanto nas melodias de Freaky Eyes, composição que poderia facilmente ser encontrada em obras de Aphex Twin na dĂ©cada de 1990, como …I Care Because You Do (1995) e Richard D. James Album (1996). O mesmo vale para a nostĂĄlgica Lift, uma adaptação do mesmo som empoeirado testado no projeto paralelo Ford and Lopatin, de 2011.

Segundo ĂĄlbum do Oneohtrix Point Never ao lado do produtor Paul Corley, Garden of Delete, mais do que uma obra autoral, confirma a influĂȘncia de outros compositores dentro dos trabalhos de Lopatin. Enquanto a primeira metade do disco visita o rock alternativo dos anos 1980/1990, com a chegada do segundo ato do registro, Lopatin decide ir alĂ©m. SĂŁo adaptaçÔes do trabalho de veteranos da avant-garde, como o pianista Michael Finnissy em Child of Rage, e atĂ© do Acid Folk, vide os sample de Am I Supposed to Let It by Again (Above the Covers) do mĂșsico canadense Roger Rodier. Um misto de adaptação e reverĂȘncia que se dobra de forma a atender Ă s exigĂȘncias do artista.

 

Garden of Delete (2015, Warp)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: Tim Hecker, Ben Frost e Fennesz
Ouça: Freaky Eyes, Mutant Standard e Lift

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