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Disco: “GILGONGO! – Ou, A Última Transmissão da Rádio Ducher”, Bidê Ou Balde

Bidê ou Balde
Indie Pop/Alternative/Synthpop
http://www.bideoubalde.com.br/

Três anos após o lançamento do quarto álbum de estúdio, Eles São Assim. E Assim Por Diante (2012), obra que serviu para ampliar a essência pop da Bidê ou Balde, o grupo gaúcho, assim como nos dois primeiros registros de inéditas, decide experimentar. Entre vinhetas, canções inéditas, versões, receitas culinárias e até comerciais, o quarteto formado por Carlinhos Carneiro, Leandro Sá, Vivi Peçaibes e Rodrigo Pilla transforma em música a última hora de transmissão de uma fictícia rádio local, a insana Rádio Ducher.

Batizado GILGONGO! – Ou, A Última Transmissão da Rádio Ducher (2015, Independente), o álbum guiado pela voz da radialista porto-alegrense Katia Suman – uma das responsáveis pela disseminação do rock gaúcho – mostra a Bidê ou Balde em sua melhor forma. Dos versos pegajosos de À La Minuta, passando pelo romantismo de Fazer Tudo À Pé até a auto-referência que preenche os instantes finais do trabalho, poucas vezes o quarteto gaúcho pareceu tão esquizofrênico e divertido quanto no presente álbum.

De fato, desde o clássico Outubro ou Nada, de 2002, que o grupo não presenteava o público com um arsenal tão rico de composições. Além da dobradinha cima citada, músicas como Não Para(r) Mais, Tudo Ok, O Soul Mentiu Pra Mim e Eu Gostaria de Matar Os Dois parecem moldadas para seduzir o ouvinte logo em uma primeira audição. Como uma verdadeira estação de rádio, em busca da audiência e permanente atenção do ouvinte, letras grudentas e melodias descomplicadas recheiam grande parte das canções, acessíveis em cada fragmento de voz ou nota.

Mesmo faixas já conhecidas da banda passam por uma curiosa adaptação. Originalmente apresentada em Eles São Assim. E Assim Por Diante, +Q1 Amigo reaparece agora com versos cantados em inglês e vocal assumido pelo convidado Diego Belmonte, vocalista da banda britânica The Mispers. Melissa, uma das canções mais conhecidas da banda é outra que foi totalmente remodelada para o trabalho. No lugar dos vocais, uma sequência de sintetizadores cósmicos, elementos típicos da Jovem Guarda e doses pontuais de experimento.  

Repleto de participações, GILGONGO! é um trabalho em que a interferência de convidados se orienta de forma bem resolvida. Além dos já citados Kátia Suman e Diego Belmonte, nomes como Gonzalo Deniz, Renato Borghetti, o coletivo de Hip-Hop Rafuagi, Edu K, Mauricio Bisol e Pedro Dom preenchem as pequenas lacunas do álbum. Sobra até para o veterano Plato Divorak, responsável por algumas dos momentos mais divertidos do registro.

Terceiro e último “capítulo” da série Kilgore Trio, homenagem da banda ao personagem Kilgore Trout, do escritor norte-americano Kurt Vonnegut, GILGONGO!, longe de parecer um registro “complementar” estabelece uma nova curva criativa dentro da carreira da Bidê ou Balde. Ao mesmo tempo em que o grupo passeia por diversos elementos da própria discografia, pequenas pontes líricas e instrumentais abrem brechas e indicam possíveis passagem para um mundo de possibilidades. Ao final do presente disco, enquanto a Rádio Ducher chega ao fim – invadida e extinta por alienígenas, segundo Carlinhos Carneiro -, a carreira do grupo gaúcho parece ganhar fôlego e um novo recomeço.

GILGONGO! – Ou, A Última Transmissão da Rádio Ducher (2015, Independete)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Pato Fu, Wander Wildner e Autoramas
Ouça: À La Minuta, Much More Than a Friend, Não Para(r) Mais


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