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Disco: “Heart of Nowhere”, Noah and The Whale

Noah and The Whale
British/Indie Pop/Alternative
http://www.noahandthewhale.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Noah and the Whale

A julgar pela tentativa falha do Noah and The Whale em se reerguer com Last Night on Earth (2011), o sofrimento firmado na obra-prima The First Days of Spring (2009) parecia se manifestar como o único reduto de acerto na curta discografia da banda inglesa. Parecia. Finalizando o cenário inexato que se manifestava na construção do último registro em estúdio, com a chegada de Heart of Nowhere (2013, Mercury) Charlie Fink e os parceiros de grupo voltam aos eixos, tratando do novo álbum como um ponto de aprimoramento controlado e algumas boas composições.

Com uma proposta que parece encontrar acerto e certa dose de novidade naquilo que o The Killers propôs com exagero em Battle Born (2012), o novo álbum passeia pela década de 1980 com atenção, capturando marcas expressivas do que definiu a música firmada no período. Entre batidas e vocais carregados pelo eco, canções amarguradas por acordes melancólicos e sintetizadores que se espalham pouco econômicos, ao alcançar o quarto disco os ingleses parecem pela primeira vez íntimos da música pop. É como se a banda garantisse volume aos sons vazios e pouco expressivos construídos há dois anos, transitando pelo passado, sem abandonar o presente.

Distante do propósito orquestral que alimentava a banda desde o primeiro disco – Peaceful, the World Lays Me Down (2008) -, logo na abertura do registro é clara a relação com o pós-punk e outras marcas específicas construídas há mais de três décadas. Ponto fundamental do registro, a faixa-título traz na presença da conterrânea Ana Calvi a comprovação de que os vocais femininos parecem exatos quando próximos da instrumentação do grupo. Suprindo a lacuna deixada por Laura Marling, Calvi esbanja precisão nos vocais, transformando a música em uma espécie de extensão do que fora testado no primeiro álbum solo, em 2011.

 

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De forma bastante nítida, pouco parece ter sobrevivido dos primeiros registros da banda. Talvez apenas rastros na segunda metade da obra, quando Still After All These Years firma uma delicada relação com o debut, passeando até por marcas caricatas do segundo disco. Entretanto, tão logo a peculiar composição de abertura dá inicio ao trabalho, o grupo deixa mais do que claro que os rumos são outros. Há na extensão do álbum uma clara necessidade de resgatar o propósito mais comercial do quinteto, transformando a nova identidade da banda um material de composto mutável.

Pensado como uma espécie de trilha sonora para o curta-metragem que acompanha o trabalho, o álbum traz no jogo de sons e imagens um exercício curioso para o próprio grupo. Ao tratar do disco como um projeto isolado dentro da discografia, a banda se permite afundar em experiências talvez incompatíveis com as testadas nos primeiros discos. Dessa forma, ao manifestar a herança oitentista que cobre All Through the Night ou Lifetime, os britânicos encontra uma brecha, garantindo distanciamento e um retorno aos inventos iniciais se assim for conveniente – o que dificilmente deve acontecer.

Por se tratar de um projeto isolado mesmo dentro da discografia do Noah and The Whale, Heart of Nowhere assume distanciamento no que alimenta a nova música britânica. Trata-se de uma obra afastada dos elementos suingados do Foals ou do pop experimental do Everything Everything, sendo capaz até de resgatar elementos por vezes desgastados da produção firmada na última década. É preciso concordar que poucas coisas são tão desanimadoras quanto o eterno regresso à década de 1980, entretanto, não há como discordar que nas mãos do quinteto tal essência parece bem aproveitada, mesmo que por tempo limitado.

 

Noah and The Whale

Heart of Nowhere (2013, Mercury)


Nota: 6.0
Para quem gosta de: The Killers, Bombay Bicycle Club e Freelance Whales
Ouça: Heart of Nowhere, All Through the Night e Still After All These Years