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Disco: “Holograms”, Holograms

Holograms
Swedish/Indie/Punk
https://www.facebook.com/Holograms

Por: Fernanda Blammer

Muito pouco parece ter sobrevivido do Punk/Pós-Punk anunciado por um bom número de artistas britânicos no final da década de 1970. Das guitarras sóbrias, passando pelos vocais obscuros e letras densas, em mais de três décadas de expansão do gênero, não foram poucos os nomes que trataram de inventar ou acrescentar nova carga de renovação ao estilo. Seja pela estreia épica do Interpol com o clássico Turn on the Bright Lights (2002) há dez anos ou com os recentes inventos praianos do primeiro disco do The Drums em 2010, muitos são os que trataram de agregar valores e garantir novos rumos ao gênero, que insiste em se modificar.

Há, entretanto, quem ainda seja favorável a manter grande parte das mesmas bases e influências que tanto definiram o estilo nos anos iniciais. Proposta de um número reduzido de artistas, a temática ganhou formas mais bem definidas com o lançamento de New Brigade no último ano. Primeiro álbum oficial da banda dinamarquesa Iceage, o trabalho que não apenas foi de encontro aos ensinamentos deixados por nomes como Joy Division, The Fall e Public Image Ltd, como absorveu uma série de referências anteriores a isso. Recortes que vão do Proto-Punk que definiu a década de 1960 ao niilismo que definiu parte do movimento punk ao final da década seguinte.

Partidários do mesmo princípio instrumental e “filosófico”, o quarteto sueco Holograms assume ao longo do autointitulado primeiro disco a mesma crueza e o diálogo com os sons do passado que tanto definiram a estreia do Iceage. Donos de um som lo-fi por questões estritamente técnicas (e financeiras) do que por interesse em si, o grupo vindo de Estocolmo traz na colaboração entre Andreas Lagerström, Anton Strandberg, Anton Spetze e Filip Spetze a soma de elementos necessários para um disco que soa ao mesmo tempo nostálgico e inovador em cada uma das 12 composições que o definem.

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Se a nostalgia vem diretamente dos vocais firmes que comandam as canções, bem como das guitarras herméticas e solos raros que se apoderam do trabalho da primeira à última faixa, então a inovação surge quando posicionamos o álbum em relação aos mais recentes discos do gênero lançados no decorrer dos últimos anos. Diferente de grande parte dos trabalhos que diariamente se apoderam do atual cenário britânico (principal casa do estilo) ou mesmo mundial, a estreia do Holograms passa longe de resultado plástico e dançante, proposta que se revela logo nos ruídos crescentes da faixa de abertura Monolith ou posteriormente no toque garageiro que bem define as guitarras de Fever.

Assim como os limites do Pós-Punk, Holograms chega muito perto da New Wave, mantendo na tonalidade cinza das faixas uma linha constante que jamais é ultrapassada. Oposto da crueza que bem define a estreia do Iceage, o grupo encontra em melodias mais estruturadas o principal diferencial e complemento para a boa formação do disco. Seja pela linha de baixo suntuosa (e rápida) que transforma toda a execução da faixa Stress ou os sintetizadores sujos que tomam conta da faixa Chasing My Mind, cada mínimo toque de renovação no interior da obra impede que o quarteto se aproxime de um resultado convencional e que tanto caracteriza os “principais” lançamentos relacionados ao estilo. O álbum, ao mesmo tempo em que mantém o diálogo com o passado, clama por evitar o obvio.

Melódico por natureza, o registro estabelece artifícios que o aproximam de ouvintes menos exigentes e de um público mais amplo, resultado que bem define a soma de hits que se estendem da canção de abertura à “extensa” faixa de encerramento.  Ao mesmo tempo em que o trabalho estabelece uma série de aproximações com obras recentes como Slaughterhouse do Ty Segall Band (pelo caráter anárquico) e Celebration Rock do Japandroids (pelo resultado descompromissado), a estreia do Holograms mantém um ponto de distinção. Proposta que não está no Pós-Punk renovado que preenche o disco, mas no toque de jovialidade que abrange cada mínimo ruído ou acorde sujo que sustenta o álbum. O pós-punk não está de volta, apenas ganhou novo peso, desespero e intensidade.

Holograms (2012, Captured Tracks)

Nota: 7.8
Para quem gosta de: Iceage, Male Bonding e Women
Ouça: Stress, Monolith e Chasing My Mind

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