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Disco: “Home”, Nosaj Thing

Nosaj Thing
Electronic/Glitch/Ambient
http://www.nosajthing.com/

 

Por: Cleber Facchi

Nosaj Thing

O mais surpreendente dentro de todas as transformações que marcam a cena eletrônica estadunidense – principalmente a centralizada na região da Califórnia – está na capacidade de cada produtor caminhar sob um terreno inóspito em relação ao que outros produtores conterrâneos desenvolvem. Tendo no Hip-Hop a fonte primordial de referência, cada distinto artista vai de encontro a um som de razões particulares, sem jamais alterar seu curso, ou percorrer o mesmo campo já controlado por outro produtor. É justamente dentro dessa pequenas brechas que se desenvolve o trabalho de Jason Chung, ou Nosaj Thing como assina cada composição de porte minimalista que floresce no ambiental Home (2013, Innovative Leisure).

Enquanto Steven Ellison (Flying Lotus) parece lidar com o caráter abstrato das composições – resultado claro no ainda fresco Until the Quiet Comes (2012) -, Mtendere Mandowa (Teebs) brinca com as texturas urbanas e Will Wiesenfeld (Baths) assume o lado mais pop de todo esse catálogo experimental, Chung parece lidar de forma adulta com as sobras e os reducionismos postos de lado. Aprisionado em um cenário abastecido pela sutileza e os mínimos realces eletrônicos, o californiano absorve tudo aquilo que foi esquecido pelos colegas produtores para lidar com os mais delicados agrupamentos sonoros. Proposta edificada com o nascimento de Drift em 2009, ao alcançar o segundo trabalho o produtor não apenas firma uma estratégia musical complexa, como corrompe uma variedade de referências prévias que tendem inevitavelmente ao inédito.

Com um reforço maior na camada de sintetizadores e lidando com as batidas sem perder a preferência atmosférica que conduz a proposta iniciada há quatro anos, Chung se orienta a construir e promover uma obra que se concentra no todo. Cada composição estabelece limites fundamentais para o que a canção seguinte desenvolve, resultando em um trabalho hermético e organizado dentro de uma proposta única – uma quebra quase natural em relação ao cenário de descoberta e blocos de sons distintos tratados em 2009. Mais do que um singelo título, Home trata exatamente sobre o aspecto conceitual que decide os rumos do disco, afinal, o álbum parece se materializar em um ambiente de paredes brancas regido pela melancolia, o abandono e doses particulares de desespero.

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Provavelmente o que mais distancia Drift do recém-lançado disco se concentra na manifestação vocal que recheia praticamente todo o trabalho. Talvez pela necessidade de descoberta, ao mergulhar nas experiências eletrônicas há quatro anos, Chung parecia experimentar cada mínima possibilidade como uma tentativa de firmar uma estratégia própria, concentrando todos os esforços na construção de um álbum cativado pelos diferentes planos eletrônicos e essencialmente instrumentais. Em Home, os vocais não apenas se locomovem como um complemento aos planos sonoros que regem o disco, mas apresentam ao produtor um ponto de inovação: o canto.

Passada a introdução incorporada pela faixa título, Eclipse/Blue se apresenta como o ponto de maior transformação na obra e consequentemente na curta discografia do Nosaj Thing. Construída com a colaboração de Kazu Makino (Blonde Redhead), a faixa ultrapassa todos os limites (prévios e atuais) da obra Chung, aportando em experimentos, batidas e preferências sonoras que inevitavelmente se aproximam do trabalho de Björk entre os discos Vespertine (2001) e Medúlla (2004). Experiência isolada, a mesma temática vocal só se repete em Try, colaboração com Chaz Bundick (Toro Y Moi), entretanto, sem a mesma preferência direta ao canto, apenas ao uso esporádico da voz.

Desprovido do exagero e lidando de maneira (quase) confortável com o sofrimento instrumental, Home é uma morada particular para a dor. Cada uma das composições, ainda que ausentes de vozes audíveis ou versos claros, solidificam um estranho ambiente confessional, um habitat natural para as angústias de Jason Chung, mas que acabam em pouco tempo se relacionando com os mais íntimos sentimentos do espectador.

 

Nosaj Thing

Home (2013, Innovative Leisure)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Shlohmo, Baths e Flying Lotus
Ouça: Eclipse/Blue, Try e Safe

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