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Disco: “Howlin'”, Jagwar Ma

Jagwar Ma
Australian/Psychedelic/Alternative Rock
https://www.facebook.com/JagwarMa

O passado dança nas mãos de Jono Ma e Gabriel Winterfield. Membros fundadores do Jagwar Ma, o duo australiano concentra na relação com a música firmada no começo a década de 1990 as bases para as próprias composições. Um encontro natural entre a neo-psicodelia implantada em Screamadelica (1991), o sintoma de decadência exposto em Parklife (1994) e as formas sombrias que abastecem a obra de estreia do The Stone Roses. Colagens e sobreposições instrumentais constantes que ao serem alinhadas dentro de uma estrutura totalmente vendável se transformam em Howlin’ (2013, Marathon), registro de estreia da dupla e uma quase coletânea involuntária.

Quem já havia se surpreendido com a sonoridade exposta em The Throw, single de estreia da banda lançado em fevereiro deste ano, terá na extensão de 11 faixas que abastecem o disco uma continuação natural do mesmo propósito. De atuação nostálgica, porém, de movimentação centrada no presente, o disco cresce em um misto de pop, eletrônica e pequenas experimentações que jamais exageram quando próximas do rock. Sem que exista um controle prévio, cada faixa cresce em uma variação ilimitada de sons e colagens, nunca concentrado em uma base única ou possivelmente redundante.

Brincando com a tonalidade comercial dos sons, o registro traz logo no bloco inicial de músicas um efeito criativo da atuação da dupla. Enquanto Uncertainty brinca com os versos e sons em uma medida próxima do que foi deixado pelo Happy Mondays no clássico Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches (1990), Come Save Me reforça as viagens impostas pelo Spiritualized em uma estrutura naturalmente pop. São interpretações particulares de tudo o que foi construído há duas décadas, porém, sem que haja qualquer distanciamento de tudo o que percorre a música alternativa atual. Um misto de passado e presente que em nenhum momento soa exagerado.

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Capaz de experimentar quando necessário, o disco troca o pop aventureiro para brincar com uma sonoridade de razões não óbvias em diversos momentos. Exemplar mais claro de toda essa formatação no trabalho, Four traz em quase sete minutos de sobreposições eletrônicas um misto de aproximação nostálgica e natural identidade para a movimentação banda. Distante da herança firmada no rock alternativo que abastece todo o restante do disco, a canção acaba percorrendo a porção mais climática da obra, abrindo de forma natural um espaço para os inventos menos sintéticos que se acumulam na segunda metade do disco.

Partindo de um ponto de transformação involuntária, com a chegada de Let Her Go o disco começa a acelerar de maneira criativa. Saem de cena as melodias esparsas que figuram no bloco inicial do álbum para que as faixas ganhem peso, voz e principalmente guitarras. O resultado são músicas como Man I Need (que mais parece uma canção perdida do Kasabian) e Did You Have To, canção que mesmo marcada pelo romantismo e a leveza não mergulha em nenhum momento na psicodelia letárgica do restante da obra.

Lembrando em alguns aspectos o trabalho de estreia do Tame Impala, Howlin’ é uma obra em que os membros do Jagwar Ma buscam se encontrar. É clara a necessidade da banda em brincar com experiências primárias e ainda assim firmar referências próprias, lineridade que se perde em instantes de plena apropriação de ideias, mas que em nenhum momento rompe com a construção de boas músicas.

Jagwar Ma

Howlin’ (2013, Marathon)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Kasabian, Tame Impala e Foxygen
Ouça: The Throw e Uncertainty

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