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Disco: “I Hate Music”, Superchunk

Superchunk
Indie Rock/Alternative/Rock
http://www.superchunk.com/

 

Por: Cleber Facchi

Superchunk

Em um cenário tomado por bandas e artistas cada vez mais interessados em reviver a década de 1990, é preciso observar que os melhores registros não estão nas mãos de nostálgicos iniciantes, mas de veteranos. Artistas que surgiram para o público há duas ou mais décadas e se mantém tão ou mais inventivos quanto em início de carreira. Do retorno épico do My Bloody Valentine com o primeiro álbum pós-Loveless (1991), ao sintoma de maturidade que ocupa a obra de pequenos gigantes como Yo La Tengo, Dinosaur Jr e Sebadoh, o misto de passado e presente soa naturalmente melhor nas mãos daqueles que acumulam experiência e ruídos dentro do panorama alternativo.

É dentro desse mesmo universo que cresce I Hate Music (2013, Merge), décimo álbum de estúdio do Superchunk e um esforço claro de maturidade na obra do grupo norte-americano. Dando sequência ao mesmo resultado cativante exposto em Majesty Shredding (2010), trabalho que rompeu com o hiato de nove anos que havia colocado a banda em silêncio, o novo álbum incorpora no uso de vocais e acordes velozes um reforço. Bases fundamentais não apenas dentro da discografia do grupo, mas de todo o movimento que vem ocupando a música estadunidense com esse olhar para o passado.

Cru, o registro deixa Mac McCaughan, vocalista e criador da banda, livre para passear por entre as faixas. São 11 inéditas composições que alternam entre instantes de plena destruição, e doses bem ministradas de melodias fáceis. Vocais que parecem amenizar a carga suja de sons que borbulham em faixas como Staying Home (um hardcore efêmero) ou Overflows, composições que estabelecem uma ponte com tudo aquilo que a banda conquistou no passado. Enquanto nova geração de artistas como Speedy Ortiz e Mikal Cronin fazem dos próprios trabalhos uma coletânea de sons caricatos, tingidos pela saudade, o Superchunk faz disso algo natural, uma sequência assertiva do que acumula duas décadas de invenção.

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Sem tempo para autorizar respiros, I Hate Music cresce em uma estrutura frenética no que define os instrumentos. Enquanto McCaughan desenvolve verdadeiros muros de guitarras, a bateria de Jon Wurster vai além do óbvio, brilhando ao fundo de músicas como Trees of Barcelona, ou simplesmente ditando os rumos em canções ao estilo de Void. Há também espaço para sintetizadores nos momentos mais leves do trabalho, como a melancólica What Can We Do, e até apelos clichês, efeito claro nas guitarras de Me & You & Jackie Mittoo, faixa que parece ter saído da década de 1980 diretamente para o trabalho da banda.

Mesmo a crueza imposta pelo grupo ao longo do trabalho não inviabiliza a construção de faixas melódicas e hits confessos. A começar por FOH, no fechamento do álbum, vozes, sons e versos parecem alinhados em uma formação pegajosa, uma base clara para o que parece assumidamente herdado por “novatos” como Japandroids. O mesmo detalhamento surge em instantes específicos da obra, como na formação de Breaking Down, Trees of Barcelona e What Can We Do, esta última afundada em uma estética menos veloz e muito mais densa do que as demais canções.

Ponto de convergência para tudo aquilo que a banda acumulou ao longo dos anos, I Hate Music deixa clara a sensação de que as bases previamente apresentadas em Majesty Shredding foram finalmente desvendadas. Nada parece desperdiçado pelo trabalho, com a banda amarrando um grupo de sons e vozes complementares, como se cada canção começasse na faixa anterior, em uma medida de plena unidade. Para a nova geração de artistas que insistem em resgatar o rock alternativo, e ouvintes interessados em desvendar a mesma proposta, passar pelo recente álbum do Superchunk é praticamente uma obrigação.

 

Superchunk

I Hate Music (2013, Merge)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Sebadoh, Guided By Voices e Japandroids
Ouça: FOH, Breaking Down e Overflows

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