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Disco: “Ice On The Dune”, Empire Of The Sun

Empire Of The Sun
Electronic/Synthpop/Alternative
http://empireofthesun.com/

Por: Cleber Facchi

Empire Of The Sun

Com exceção do hit de apresentação Walking on a Dream, qual a primeira coisa que passa pela sua cabeça quando alguém fala sobre o trabalho do Empire Of The Sun? Sem dúvidas não são os experimentos climáticos de Country ou a dor exposta em Without You, faixas de beleza similar, porém quase ocultas no decorrer do primeiro disco da banda australiana. Até o figurino extravagante e tribal-futurístico de Luke Steele ou talvez a maquiagem de Nick Littlemore parecem ter peso maior. Quem sabe We Are the People pode surgir de forma aleatória como uma referência, mas uma coisa é certa: A música sempre esteve em segundo plano no trabalho do duo australiano.

De nítido esforço ao vivo – nos palcos é grande o peso em cima de efeitos luminosos, imagens e fantasias -, desde o primeiro registro a proposta da dupla esteve voltada ao espetáculo. Dessa forma, Steele e Littlemore encontraram no efeito dramático uma alternativa para aquilo que já vinham desenvolvendo previamente em outros projetos, entre eles a banda The Sleepy Jackson e o duo de eletrônica PNAU. Entretanto, nem mesmo a mais colorida apresentação deu conta de sustentar o primeiro trabalho da banda, que ao ser apreciado de forma isolada, se perde em instantes de plena redundância e autoplágio.

Talvez como tentativa de reverter essa situação, ao pisar no terreno de Ice On The Dune (2013, Capitol), segundo registro em estúdio, todas as tentativas da dupla parecem focadas de forma a reverter a mesma situação imposta no trabalho passado. Musicalmente menos pretensioso e aproveitando de cada composição espalhada pela obra de forma instrumentalmente uniforme, o novo álbum do Empire Of The Sun rompe parcialmente com o visual e o propósito ao vivo para lidar com a música como ideia central do disco. São 12 novas composições, todas acalmadas dentro de uma sonoridade nostálgica, mezzo anos 1980, mezzo inicio dos anos 2000, que revivem de forma natural tudo o que a banda propôs há cinco anos.

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Trabalhando de forma coerente a relação entre as músicas, o disco encontra logo na abertura climática de Lux uma espécie de anúncio do que abastece o restante da obra. De esforço crescente, a canção abre espaço para aquilo que a trinca seguinte de faixas seguintes corresponde como uma inevitável relação ao que foi imposto pelo grupo há meia década. Enquanto Alive assume o título de carro chefe do disco, DNA traz na mistura leve entre eletrônica e psicodelia um aprimoramento de tudo o que a dupla alimentou na segunda metade do debut. Sintetizadores festivos e batidas exploradas em atos que crescem até a chegada de Concert Pitch, composição de apelo pop e sonoridade que remete de forma inevitável ao trabalho do Cut Copy.

Cativante, o álbum segue atento até a chegada de Awakening, faixa que soma lances de R&B, Synthpop e eletrônica dentro de um composto leve, raro quando voltamos os olhos para o disco passado da dupla. Último exemplar do lado verdadeiramente pop do disco, a canção serve para delimitar a divisão natural do disco, que a partir de I’ll Be Around incorpora um novo direcionamento. Valorizando ainda mais a propriedade eletrônica do disco, o duo floresce os inventos em Celebrate e Surround Sound, faixas que remetem ao trabalho do Daft Punk (da fase Discovery) em uma estrutura radiofônica e pronta para as pistas.

Dentro dessa estrutura dual, ora de apelo pop, ora voltada à eletrônica, Ice On The Dune cresce como um exercício criativo para a dupla, que em nenhum momento se distancia da relação conceitual e das bases caricatas já exploradas no primeiro disco. Ainda que falte ao álbum a presença de composições que igualem a grandeza de Alive e Awakening durante toda a extensão do trabalho, com o novo disco o Empire Of The Sun abre mais um capítulo no universo fantástico que vem delineando desde o começo da carreira, sendo este o ponto de maior atenção e acerto da dupla por enquanto.

Empire Of The Sun

Ice On The Dune (2013, Capitol)

Nota: 6.8
Para quem gosta de: Pnau, MGMT e Miami Horror
Ouça: Alive e Awakening

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