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Disco: “ID”, Cyclo.

Cyclo.
Electronic/Experimental/Minimal
http://www.ryojiikeda.com/

 

Por: Fernanda Blammer

Imagine o encontro entre dois gênios da música eletrônica experimental, especializados na criação de performances audiovisuais capazes de corromper sua mente. Estamos falando do projeto Cyclo., parceria entre o japonês Ryoji Ikeda e o alemão Carsten Nicolai, que tem a capacidade de subverter sua realidade em questão de segundos. Rompendo todos os limites tecnológicos, científicos e sonoros a dupla multicultural lança seu segundo registro, ID (2011) uma obra que vai muito além da música e é feita para ser sentida.

Não há barreiras para o trabalho da dupla sejam elas físicas ou tecnológicas tudo é reconstruído ou arrastado para um ambiente novo e inóspito, alheio a qualquer tipo de padrão ou ritmo musical. A ideia partiu de uma pesquisa em que o duo pretendia mapear a forma física e visual do som a fim de transformar tudo em uma exposição artística contemporânea, porém a necessidade de converter isso em registro foi mais do que necessária. Cada uma das músicas (se é que podemos chamá-las assim) carregam texturas, formas e sons que vão além da compreensão humana, mas que por motivo de catalogação ficam armazenadas nas onze faixas que compõem esse disco.

O que poderia ser um trabalho compreendido apenas dentro dos padrões de uma apresentação ao vivo, a dupla consegue traduzir com total propriedade através desse álbum toda a climatização e o brilho de sua obra. Diferente de todos os outros trabalhos gerenciados pelo rótulo de “música minimalista” que já circularam aqui pelo site, a parceria entre os dois produtores compreende uma fluência totalmente sintética e matemática.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=cXAevrYhicI]

Ouvir faixas como ID#02 é como fazer uma viagem para dentro de uma máquina, onde bips, números e ruídos tecnológicos vão se revelando a todo o momento. Mesmo que acabe compactada dentro de um registro em LP, a obra interfere constantemente quando apreciada de maneira cuidadosa através do uso de fones de ouvido. Os ruídos machucam os tímpanos, causam desconforto e ao mesmo tempo proporcionam uma sensação agradável.

Embora seja praticamente impossível categorizar o álbum dentro de algum gênero ou padrão é possível perceber algumas referências ou aproximações. ID#06 lembra de alguma forma o que é proposto por Trent Reznor (Nine Inch Nails) dentro da série de discos Ghost I-IV (2008), embora Ikeda e Nicolai transitem por um terreno muito mais desafiador e artificializado, impedindo qualquer tipo de manifestação que escape dos padrões duramente técnicos do álbum.

Obviamente ID não é um registro de apreciação em conjunto (a não ser nas apresentações da dupla), a fórmula reducionista de cada mínimo fenômeno acústico apresentado dentro desse registro está fadada a apreciação individual. A forma seca e anorgânica de cada uma das faixas exclui qualquer possibilidade de uma absorção desse álbum que não seja em uma ambiente hermeticamente habilitado há isso. O Cyclo. é como aquelas espécies de plantas que florescem apenas uma vez ao ano através dos fenômenos mais improváveis, mas que merecem a todo custo serem apreciadas.

 

ID (2011)

 

Nota: 8.4
Para quem gosta de: Ryoji Ikeda, Carsten Nicolai e Radiohead (!)
Ouça: ID#03

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