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Disco: “II”, Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra
Lo-Fi/Psychedelic/R&B
http://unknownmortalorchestra.com/


Por: Cleber Facchi

Unkown Mortal Orchestra

A saudade e o amor têm gosto de gravação barata. Ou pelo menos é o que identifica Ruban Nielson em cada novo passeio sonoro da orquestra mortal de três homens que ele orienta. Letrista e principal voz nos comandos da cada vez menos desconhecida Unknown Mortal Orchestra, o músico neozelandes e os parceiros Jake Portrait e Greg Rogove alcançam o segundo registro da carreira aprimorando dois elementos fundamentais na proposta da banda: os ruídos e as letras. Sob o título minúsculo de II, o presente disco reforça de forma comercial e ainda assim específica o que há de mais tradicional e inventivo na curta trajetória da banda, estreitando os laços com a psicodelia e voltando o romantismo para o R&B.

Contraponto sério e até mais inventivo do que a tríade havia alcançado em 2011, durante o lançamento do homônimo primeiro disco, em II as emoções de Nielson tomam formas mais bem detalhadas, o que naturalmente influencia toda a construção do álbum. Dotado de um acabamento grandioso e controlado na mesma medida, o disco soa como a melhor apresentação ao vivo de uma banda sem necessariamente sair do ambiente fechado de um quarto, marca das canções ora volumosas, ora simplistas que proliferam pela obra. Todavia, por justamente se tratar de um agrupado de experiências sentimentais particulares, o álbum parece flutuar em um ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada pela banda.

Da mesma forma que o registro que o antecede, as preferências da banda permanecem em cima dos passeios existencialistas da psicodelia ao passo que o R&B ocupa de forma primorosa (e naturalmente romântica) os outros instantes da obra. Exemplo claro de toda a dualidade que preenche o registro está no contraste sequencial que se reveza em cada nova faixa. Enquanto a dolorosa So Good At Being In Trouble, por exemplo, se perde em passagens sombrias pelo passado recente do vocalista, One At A Time quebra esse mesmo regime de sofrimento e morosidade musical, recheando cada instante da composição com uma dose imoderada de acordes sujos que raspam de maneira desmedida no Garage Rock recente, principalmente o que marca a produção californiana.


Mais do que a consolidação de uma sonoridade própria do trio, em relação ao trabalho passado as características aproximações com o Lo-Fi ultrapassam de forma decisiva as frequentes incorporações relacionadas à obra de Robert Pollard (Guided By Voices). Um resultado que amplia os limites antes instalados na produção do UMO, distanciando a banda de um acabamento tímido, típico de um trabalho iniciante. De fato, logo ao mergulhar no oceano lisérgico-amoroso que recheia o disco, a relação com os sons marcados da década de 1970 tomam novo espaço e ocupam um lugar fundamental na construção da obra, transformando o álbum não em uma busca constante por uma marca instrumental específica (aspecto intencional do registro de estreia), mas em um trabalho de referências bem estabelecidas.

Ao mesmo tempo em que a arquitetura musical que solidifica o álbum garante ao grupo o fechamento de uma obra de percursos bem direcionados, a condução consciente que reformula o disco possibilita ao trio a chance de experimentar. Posicionada próxima ao fechamento do álbum, Faded In The Morning coleciona em pouco mais de quatro minutos preferências musicais capazes de ultrapassar a estética suave atribuída de forma macambúzia no decorrer do registro. Acelerada, a canção se entrega (de maneira controlada) à crueza do Television (nos instantes menos épicos), além de reviver marcas típicas do rock nova-iorquino do fim da década de 1970. Se levarmos em conta Secret Xtians, canção que fecha o disco e ressuscita referências do The Velvet Underground, ficam estabelecidas marcas do que pode vir a ser encontrado em um futuro próximo, quando o sucessor de II for entregue ao público.

Coerente com a sequência de registros que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de 1960 e 70, cada instante dentro do mais novo álbum do Unknown Mortal Orchestra é uma visita ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. Ao reforçar o disco com as confissões de Ruban Nielson, a banda não apenas deixa de ser uma mera representante do rock lo-fi pós-adolescente para pisar em um território de transformações expressivas, tratando da intimidade e da dor de maneira similar ao que orienta outros trabalhos adultos.

 

II

II (2013, Jagjaguwar)


Nota: 8.2
Para quem gosta de: Foxygen, Tame Impala e Mac DeMarco
Ouça: So Good At Being In Trouble, Monki e Faded In The Morning

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